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O que é ser líder, segundo Carlos Wizard Martins

O empreendedor Carlos Wizard Martins está acostumado aos holofotes do noticiário econômico. Ele dá motivos para isso. Após a venda da escola de idiomas Wizard, que ele fundou e vendeu para a britânica Pearson em 2014, o empresário engatou uma série de aquisições pelo mercado. Mundo Verde, Wiseup, Hub Prepaid, Taco Bell, Topper e, mais recentemente, as operações brasileiras dos restaurantes KFC e Pizza Hut, são apenas alguns dos exemplos de seu império.

Boa parte dos seus negócios é tocada por seus familiares: seus filhos gêmeos Charles e Lincoln, além das filhas Thaís e Priscila, batem cartão todo o dia na sede da Sforza Holding, localizada em Campinas. A família trabalha forte para não entrar em uma estatística nada satisfatória no Brasil: apenas 12% das empresas familiares chegam a terceira geração.

Nesta entrevista para a NOVAREJO, o empreendedor fala sobre os desafios de uma gestão familiar e também sobre como enxerga o papel de um líder dentro de uma empresa. Segundo Martins, o líder jamais pode ficar encastelado. “Algo que aprendi ao longo da minha jornada como empreendedor é que ninguém jamais realizou algo grandioso sozinho”, diz ele. Confira, a seguir, a sua entrevista:

NOVAREJO – Como é ter a família nos negócios? O que muda na gestão?
CARLOS WIZARD MARTINS – Para mim, trabalhar com a família é bastante satisfatório. Meus filhos foram preparados, desde cedo, para serem empreendedores. Exemplo disso são os gêmeos, meus filhos mais velhos, Charles e Lincoln. Hoje ambos estão na direção de várias empresas do grupo Sforza, nossa holding familiar. Quando eles eram adolescentes, trabalhavam na empresa fazendo tarefas simples como cortar, preparar e enviar os materiais para as escolas de inglês, me acompanhavam às visitas, às convenções de franqueados. Isso permitiu que conhecessem a dinâmica do negócio e se habituassem com as rotinas da empresa.

Quando eles tinham 22 anos assumiram o comando dos negócios em uma época que estive ausente, cumprindo uma missão religiosa no nordeste do Brasil para a Igreja Mórmon. Desde então eles realizaram com maestria todas as tarefas que lhe cabiam, demonstrando alto grau de responsabilidade e competência na condução dos negócios da família.

NOVAREJO – Muitos criticam a gestão familiar em empresas. Qual a sua opinião sobre isso?
CWM – Na minha opinião, o segredo para uma gestão familiar bem-sucedida é o profissionalismo e manter regras de governança bem claras. Isso passa pela separação do capital dos sócios e da empresa, e também pela meritocracia: membros da família que ocupam cargos executivos serão remunerados pelo cargo, mas também serão cobrados por resultados, da mesma forma como seriam executivos trazidos do mercado. Se há essa imparcialidade, a gestão familiar tem tudo para ser um sucesso.

NOVAREJO – Existe um perfil específico para o líder de hoje?
CWM – Acredito que o executivo de sucesso é aquele que consegue cercar-se de bons profissionais e que está disposto a formar, treinar, motivar e recompensar a todos os membros da equipe. Aprendi que as pessoas são mais motivadas pelo reconhecimento, valorização e oportunidade de crescimento, do que apenas por salários. Pagar bons salários é importante, porém não é o suficiente para manter bons profissionais fidelizados em sua equipe. Na minha visão, o líder tem que ir além de apenas dar ordens, por isso é muito importante trabalhar tanto com os elementos racionais e emocionais em sua organização.

NOVAREJO – E qual é o seu perfil de liderança? Como interage e trabalha com os seus funcionários?
CWM – Há algo que aprendi ao longo da minha jornada como empreendedor: ninguém jamais realizou algo grandioso sozinho. Quem quer ganhar tudo sozinho, quem quer tudo para si, acaba sem nada no final, pois as pessoas não gostam de ficar perto de um gerente ou diretor centralizador. Deste modo, procuro reconhecer a capacidade de cada um dos talentos que trabalham comigo pelo que fazem e pelo tanto que colaboram. Procuro sempre transformar o sonho individual no sonho coletivo, confiando nas pessoas. Acima de tudo valorizo a meritocracia, isto é, quem mais contribui para a organização é mais valorizado.

NOVAREJO – O sr. se inspira em alguma liderança pelo mundo?
CWM – Há muitas pessoas que me inspiram. Quando ainda estava na faculdade nos Estados Unidos, criei uma biblioteca pessoal, que eu chamo de biblioteca de sucesso, com literatura sobre negócios, administração e gestão de pessoal. Como empreendedor, me identifico muito com o Jack Ma, fundador do Alibaba. Assim como eu, ele veio do zero, teve dificuldade nos estudos e, ainda assim, conseguiu alcançar um grande sucesso. Ele é um grande empreendedor, inovador e voltado para prover soluções para um mercado gigantesco. Ele precisou vencer muitas barreiras para atingir o patamar de realização que conseguiu conquistar.

NOVAREJO – E o líder de hoje é o mesmo líder de ontem? Existem características iguais?
CWM – Na realidade a tecnologia mudou o mundo empresarial. Isso significa que o perfil do líder bem-sucedido também mudou. A tecnologia também mudou muito a forma de promover um produto ou serviço. As pessoas estão cada vez mais conectadas de forma global. Uma palavra mal proferida por um repórter em Washington pode acabar com uma carreira de um profissional brasileiro poucas horas após a notícia viralizar pela internet. As empresas estão valorizando muito mais seu contato com o consumidor pelas mídias sociais e atendendo suas reivindicações. Estou plenamente convencido de que a empresa que ignorar o avanço da tecnologia irá rapidamente perder mercado.

NOVAREJO – Fora o controle da tecnologia, quais são as características de personalidade de um líder?
CWM – Acredito que uma das principais características é conseguir manter foco em atender bem as necessidades do cliente, seja externo ou interno. Também é fundamental ter foco nos resultados financeiros da operação. Ninguém irá se manter por muito tempo em sua posição se não tiver essa visão. Com tantas tarefas competindo por seu tempo, é essencial manter o foco na solução e não no problema. Além disso, manter um bom relacionamento com toda a equipe e acionistas cria um clima de cooperação e satisfação geral entre todos os colaboradores.

NOVAREJO – Existe um conflito de gerações, na sua opinião? Qual é o papel de um líder nesse embate?
CWM – Não concordo com o ponto de vista de que uma geração tenha que ser tratada diferente da outra. O profissional precisa ser reconhecido por aquilo que ele é capaz de entregar, não importa sua faixa etária. Eu tenho excelentes profissionais em meu time que não chegaram aos 30 anos. Outros estão acima dos 60 anos mas tem a garra e energia de um recém-formado.
Cabe ao líder estimular a equipe oferecendo oportunidades de usar os talentos de cada um para alcançar os objetivos mais altos da empresa. Motivar e valorizar a todos, independentemente da faixa etária ou dos diferentes níveis hierárquicos, do mais alto executivo do time, ao colaborador que está na base da hierarquia, faz parte do segredo dos líderes de alto performance.

NOVAREJO – Como o sr. enxerga o líder do futuro? Qual é o perfil que o sr. espera?
CWM – Certamente o líder do futuro terá um compromisso muito grande com o avanço tecnológico, a inovação tanto para atender as expectativas do consumidor como para implantar processos mais dinâmicos em toda a estrutura organizacional da empresa. Toda essa transformação não pode deixar de valorizar os membros da equipe. Por isso ele precisara saber lidar bem com pessoas, enquanto mantem a capacidade de se antecipar às tendências e agir com rapidez para implementar mudanças, que muitas vezes são necessárias para o crescimento e manutenção do negócio.

Fonte: Portal No Varejo

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