A impressora quebrou e todo mundo fingiu que não sabia. E agora? 

“Essa é uma história sobre quatro pessoas chamadas Todo Mundo, Alguém, Qualquer Pessoa e Ninguém. Havia um importante trabalho a ser feito e Todo Mundo estava certo que Alguém faria. Qualquer Pessoa poderia ter feito, mas Ninguém fez. Alguém ficou bravo com isso, porque era função de Todo Mundo. Todo Mundo pensou que Qualquer Pessoa poderia fazer, mas Ninguém percebeu que Todo Mundo não faria. Acabou que Todo Mundo culpou Alguém quando Ninguém fez o que Qualquer Pessoa poderia ter feito.” – autor desconhecido

 

Essa história parece semelhante a algo que você já tenha visto ou vivido? Quem sabe na sua empresa, ou local de trabalho, existam alguns ‘alguéns’ e ‘ninguéns’. Ou, quem sabe, você seja um dos personagens dessa história que não nomeia pessoas, mas atitudes.

Está por todos os cantos. Preenchendo as lacunas do corporativismo. Essa narrativa está mais viva do que parece, e mais próxima do que se imagina. Os funcionários que se limitam a fazer só o que é necessário sobrevivem, mas estão com os dias contados. Por uma questão de iniciativa e atitudes, grandes empresas e supervisores observam o comportamento que regem o clima organizacional.

A política de ficar sem fazer nada de útil é um dos fatores que empurram ambientes de trabalho para o comodismo, desânimo e falta de produtividade. Afinal, o termo não significa o quanto você faz, mas sim a qualidade e a eficácia daquilo que é produzido.

Esse fenômeno tem milhares de características e agora possui até um nome próprio. O termo Social Loafing, ou indolência social, é utilizado para descrever que qualquer pessoa pode tomar a responsabilidade de resolver um problema, mas então presume que outra pessoa tomará partido e decide não fazer nada a respeito.

Como forma de empoderar seus funcionários,    Michael Pryor, Diretor Executivo da Trello, um aplicativo de gerenciamento de projeto, resolveu implementar a política ‘Não Fique Sem Fazer Nada’. Neste caso, ele dá a autonomia necessária para que a equipe de trabalho possa tomar decisões adequadas na hora de resolver imprevistos e dificuldades.

 

Política da confiança

Sensacional a ideia, não é mesmo? Mas isso tudo só foi possível pela confiança entre os executivos e sócios da empresa com os funcionários que são treinados e capacitados para gerirem suas funções. E, claro, além da busca incessante em criar um clima organizacional que os torne produtivos não através do medo de perder o emprego, mas sim porque é despertado o sentimento de querer fazer esse ‘algo a mais’.

Em entrevista ao blog Trello, Michael diz: “A coisa mais difícil para um empreendedor é ceder o controle a outros”, explica Michael. “Você passa tanto tempo fazendo tudo sozinho que isso se torna natural; mas você não pode aumentar a escala de uma empresa sozinho. Contrate gente em quem você confia e dê a eles a capacidade de tomar decisões. É a única maneira de crescer (…) Você não toma a decisão de ignorar algo por que você pensa que é o problema de outra pessoa. Essa é a diferença. Porque você tem consciência disso, agora é sua responsabilidade lidar com isso.”

Invista na comunicação entre as equipes do seu local de trabalho e diminua a indolência social e o estresse por ter que esperar alguém arrumar a impressora que travou, afinal, você tem autoridade para resolver o problema.

Fingir que não viu o problema pode parecer uma atitude esperta, mas isso não quer dizer que você não está comprometido em resolver o que viu. É como visualizar uma cena de agressão física e verbal. Qual é o custo de não fazer nada a respeito do que viu? Será que o problema é menos seu só porque você não fez nada a respeito?

Fica a reflexão para essa semana.