Economia criativa e seu viés sustentável

Dando sequência aos nossos posts, vamos abordar aqui uma vertente da economia, a economia criativa. Economia criativa é o nome dado para o conjunto de atividades econômicas que se utilizam da criatividade como seu principal insumo para geração de valor. Alguns dos setores de atuação mais tradicionais da economia criativa são design, moda, tecnologia, arquitetura, audiovisual, publicidade, música, games, gastronomia e comunicação.

Para ser considerada parte da economia criativa, entretanto, é preciso gerar valor com sua atividade intelectual. Uma pessoa tocando teclado por prazer em sua casa, por exemplo, não está inserida diretamente nessa categoria, já fazer uma apresentação paga em um bar ou uma casa de shows, sim.

Com a globalização e o avanço das tecnologias, o mundo, cada vez mais interconectado e a troca constante de informações, faz com que os produtos e serviços se tornem cada vez mais parecidos ao redor do globo. Com isso surge a necessidade de diferenciação; a solução é inovar para se destacar de seus concorrentes. É nessa linha de buscar a inovação e a criatividade que a economia criativa vem mudando e moldando as empresas tradicionais.

Naturalmente, a criatividade e a inovação acompanham o ser humano desde seus primórdios, sendo a descoberta do fogo e a criação da roda clássicos exemplos de inovações que mudaram toda nossa trajetória. Oficialmente, porém, a economia criativa é muito mais recente, dando seus primeiros passos durante a década de 1990.

Foi o governo britânico que primeiro percebeu seu potencial de desenvolvimento econômico para o país e, em 1998, lançou uma publicação mapeando os setores da indústria criativa na época.

A economia criativa baseia-se em dois pilares principais: bens intangíveis e propriedade intelectual. Os bens intangíveis são aqueles que não são físicos, não podem ser tocados, mas possuem valor intelectual, como o conteúdo de filmes, livros, softwares, músicas. A propriedade intelectual é o conjunto de normas e leis que dão proteção a esses bens intangíveis, como patentes, licenças autorais, copyrights.

Tendo como principal ativo o fruto intelectual, a economia criativa tem grande potencial transformador. Por ser baseada em bens econômicos intangíveis, não necessita da extração ou manipulação dos escassos recursos naturais do nosso planeta. Dessa forma, o crescimento e fomento dessas atividades é não só economicamente atrativo, como ecologicamente sustentável.

O avanço da tecnologia certamente mudará as relações de trabalho que temos hoje. Máquinas substituirão o ser humano em tarefas mecânicas, repetitivas, fazendo o mesmo trabalho de forma mais rápida, eficaz e eficiente. O que sobrará então para fazermos? Aquilo que nos torna únicos e distintos entre os seres que habitam este planeta: criar. A criatividade, a experimentação e a inovação são nossas melhores ferramentas para nos desenvolvermos e prosperarmos como sociedade.

Incorporar a criatividade e a inovação como bases de nossa economia é fundamental para que possamos caminhar em direção a um futuro mais multicultural, inclusivo e sustentável. Para isso, é preciso fortalecer e incentivar a economia criativa, investindo-se em educação, cultura, empreendedorismo, estimulando-se a diversidade de pensamentos e modernizando-se os ambientes de negócios para comportar os novos modelos econômicos. A criação e valorização de espaços artísticos, científicos e culturais nas cidades é fundamental para nutrir e estimular a efervescência criativa, cada vez mais valiosa.