Educar para o consumo consciente

Todos nós adultos sabemos que é preciso ter disciplina e adotar critérios de valor nas práticas cotidianas de consumo.  Definir que queremos ser consumidores conscientes implica escolher o que vamos comprar e conhecer os motivos pelos quais tomamos essa decisão, levando-se em conta os requisitos da sustentabilidade ambiental e social, além das condições financeiras relacionadas ao ato da compra.

No entanto, se queremos ser responsáveis com relação ao consumo, é nosso dever preparar as próximas gerações para que também tenham uma relação saudável com o consumo, sabendo utilizar dos recursos financeiros e assumir uma atitude ecologicamente correta quanto às suas práticas. Como fazê-lo?

As boas referências nas escolhas do consumo são muito úteis para educar para o consumo consciente. O que consumir: um produto acessível economicamente, mas desnecessário, ou algo que realmente seja útil e vá acrescentar ao meu desenvolvimento pessoal, mas que tenha um custo mais alto? Como adquirir esse bem?  Não tenho todo o dinheiro para realizar a compra à vista, devo poupar e adquirir quando tiver o recurso ou buscar um crédito e financiar pagando juros?  Quando gosto de alguma coisa, devo adquirir muitas unidades daquele mesmo tipo de produto ou adotar um limite para não transformar em mero colecionador de objetos que nem vou conseguir usar?

A compulsão, o vício pelo consumo, é muito prejudicial, não somente pelo aspecto econômico, por gerar endividamento e quando levado ao extremo à perda de bens essenciais muitas vezes adquiridos com muito trabalho e esforço de anos, mas também problemas psicológicos e sociais. Existem pessoas que adoecem acumulando coisas em excesso, como se precisassem de um estoque infinito de bens para se sentirem seguras e/ou socialmente aceitas. Essa lógica é contraproducente para a natureza, para a economia (que não se sustenta em bases reais de necessidade e produção), e para o bem-estar psicológico das pessoas e consequentemente de uma sociedade mentalmente sadia.

O consumo será sustentável se incluirmos perguntas sobre o material utilizado e se o processo produtivo resultou em impactos negativos ao meio ambiente e à dignidade humana, como critérios para nossas escolhas.

A questão-chave que deve nortear essa reflexão à qual as crianças também devem estar acostumadas a pensar é: a atividade de consumo, fazer compras, é uma atividade meio ou fim em si mesma? A resposta do consumo consciente será sempre a mesma: fazer compras é uma atividade meio, ou seja, não vivemos para comprar e esse ato não interfere na nossa condição de pessoa, na nossa felicidade e realização como seres humanos. Comprar é um meio, mecanismo para termos condições de viver e fazer o que realmente importa à vida humana, construir modos de nos relacionar e gerar bem-estar e felicidade no meio em que vivemos.

Não nos esqueçamos, porém, de que o principal instrumento para preparar as gerações futuras é sem dúvida o bom exemplo.  Todos, pais, mães, educadores, que convivem com jovens e crianças, devem saber que suas atitudes contam mais do que suas palavras e tudo o mais que estiver escrito ou dito.  O valor que se dá às coisas, às pessoas, e mesmo à educação, passa pela experiência que essas crianças e jovens têm com as pessoas adultas com quem convivem.

Queremos um futuro melhor? Nossa atitude conta muito.