Por que falar em biodiversidade se tornou urgente?

É fato que grande parte das pessoas vivem atualmente em centros urbanos, com hábitos e interesses que se afastam cada vez mais do mundo natural. Na maior parte do tempo, estamos ocupados com coisas bastante pessoais e rotineiras, como desempenhar bem nossas tarefas no trabalho e junto aos familiares, com algumas poucas horas de lazer. Nos acostumamos a interpretar como natureza uma pequena praça no centro da cidade com meia dúzia de árvores e algumas flores, ou quando muito uma área verde no condomínio ou na escola, e ter contato apenas com os animais domésticos de estimação, estes sim, muitas vezes tratados como filhos.

Sequer pensamos no que está se passando em outros espaços, onde existe a vida natural, onde as plantas processam a fotossíntese, as árvores absorvem gás carbônico e devolvem oxigênio, as águas seguem seu ciclo até chegar novamente às nossas mesas. Não lembramos da importância desses ambientes, em que seres vegetais e animais cumprem as suas próprias “tarefas” de produzir mais vida para seres de sua própria espécie e para as demais. Acontece, porém, que o que a natureza nos proporciona em termos de vitalidade ecológica dos ecossistemas nenhum outro meio pode proporcionar.

Enquanto cuidamos das coisas pequenas do nosso cotidiano, coisas muito grandes e graves estão ocorrendo nesse “mundo paralelo” da natureza. Estamos perdendo espécies animais e vegetais a tal ponto que, conforme os estudos científicos indicam, estamos a caminho de uma sexta grande extinção em massa![1] É preciso encarar o problema na sua gravidade! Esse tipo de extinção, cujas características são de atingir bem mais da metade das espécies vivas, já ocorreu outras cinco vezes nesses 4,6 bilhões de anos da história do planeta, e estiveram sempre associadas aos quadros de passagem por períodos glaciais ou drásticas ocorrências como queda de meteoros, movimento de placas tectônicas, intensas atividades vulcânicas, por exemplo, com efeitos que alteram profundamente o clima e os gases atmosféricos e causam a dizimação da biodiversidade. A última grande extinção em massa foi a que marcou o fim da era dos dinossauros há 65 milhões de anos.[2]

Os estudos de fontes como o MIT – Instituto Tecnológico de Massachusets, a PNAS – Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza e o WWF – World Wildlife Fund,  indicam que, entre as principais causas dessa ameaça gravíssima, que diz respeito à vida do ecossistema terrestre e, portanto, também das nossas vidas, são: a destruição dos habitats, a contaminação ambiental, a caça, a invasão por espécies exóticas, o aumento populacional humano e, o que potencializa o risco de todas essas situações, o aquecimento global.[3]

Nosso modo de vida urbana, portanto, embora se pareça tanto com uma bolha isolada dos problemas (principalmente para quem usufrui de certos confortos como ar condicionado, veículo próprio e acesso a todo tipo de produto de consumo, inclusive os raros e caros), está causando uma disfunção em todo o sistema natural. Não se trata do fato de criarmos ambientes protegidos da “selva” natural – nossas “selvas de pedra” urbanas –, mas, sobretudo do estilo de vida e dos interesses em torno dos quais nossas vidas se desenvolvem.

O aquecimento global é um fenômeno decorrente da era industrial, da produção massiva com base nos combustíveis fósseis. Significa que geramos um processo de produção que emana gases poluentes e provocamos alterações na composição atmosférica. Essas alternações impactam no clima, causando as mudanças climáticas que, por sua vez, podem provocar tragédias (enchentes, deslizamentos, seca, tornados, ciclones, etc), e, ao mesmo tempo, estão alterando os habitats e as condições de vida dos animais e plantas, de todas as espécies. Nos últimos 40 anos, houve perda de cerca de 60% na população de animais mamíferos, peixes, aves, anfíbios e répteis[4], mais de um milhão de outras espécies estão em risco.[5]

Podemos interferir nesse processo, que nos ameaça à catástrofe maior de todas? Sim, mas é preciso despertar para o problema e assumir que é ele real, ou, dentro de poucos anos, a água será um artigo raro e de luxo, e com ela as plantações e a produção industrial, por exemplo, são muito afetadas. Outros problemas podem decorrer daí, como a carência de alimentos, pois, com o aquecimento global, os oceanos e os ambientes silvestres estão se tornando impróprios para muitos seres vivos, e as espécies, quando não extintas, vão se tornando mais fracas e com número insuficiente para repovoar, num processo sem retorno.[6]

Como cidadãos podem fazer a diferença, precisamos estar atentos para não permitir que aconteçam práticas como a caça predatória, o comprometimento dos habitats naturais (florestas, rios, mangues, etc) com o desmatamento e a poluição, a substituição de espécies nativas de plantas e introdução de animais exóticos à nossa flora e fauna. E, também, agindo conscientemente com as nossas escolhas de consumo e pelo incentivo aos modelos de produção ecologicamente sustentáveis. Estes temas se desdobram e cada um pode gerar uma série de medidas positivas. É preciso pensar juntos e colocar em prática outras maneiras de viver e proteger a vida, que é o valor maior que está por trás da proteção da biodiversidade. Cedo ou tarde precisaremos encarar esse cenário, e quanto mais cedo, menos trágicas as consequências. Estamos todos juntos nesse desafio!

Referências 

[1] http://www.bitsofscience.org/holocene-anthropocene-mass-extinction-biodiversity-garden-of-eden-7337/

[2] http://www.temasbio.ufscar.br/?q=artigos/cavando-pr%C3%B3pria-cova

[3] http://www.bitsofscience.org/climate-change-extinction-biodiversity-degrees-ipcc-7996/

[4] https://www.wwf.es/nuestro_trabajo_/informe_planeta_vivo/

[5] https://www.nationalgeographic.es/medio-ambiente/2019/05/mas-de-un-millon-de-especies-se-encuentran-en-riesgo-de-extincion?fbclid=IwAR0W4c0XSqMwQQ8bkZ8dGNPa-Ple_KsVwd81UYiaUW0cVBpHasAubq-G7AM

[6] https://www.hurb.com/viajantehu/mas-noticias-o-coala-e-declarado-funcionalmente-extinto/?fbclid=IwAR1VsGkEBsEgvupw-x0W8-WRBjhsm1pQnf9NBx5HFreVAKhWr9B437zklHI

Concurso CDL na Escola

Em 2019, a Liga mais amada do Brasil está de volta em uma temporada multiplataforma inédita com o tema “Biodiversidade”. Na TV e nas Redes Sociais, nossos heróis estreiam três episódios envolvendo temas como tráfico de animais, desmatamento e agrotóxicos em exagero. Uma das grandes novidades deste ano, é o lançamento do gibi “Liga Sustentável em Defesa da Biodiversidade”. Nesta aventura, Doutor Imundo entra em cena para sequestrar Papão, diversas espécies da Mata Atlântica e, para piorar, constrói uma barragem altamente poluente prestes a se romper.

Nesta missão, a FCDL/SC conta com o apoio das CDLs para promover a educação ambiental para resguardar o equilíbrio ecológico tão necessário à nossa sobrevivência. O concurso CDL na Escola este ano traz o tema “O que você pode fazer em defesa da biodiversidade?”. Todos os alunos do ensino fundamental das escolas municipais de Santa Catarina podem participar. Os do 1º ao 5º anos na categoria desenho, e os do 6º ao 9º anos em redação.

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