FCDL Notícias

8 ações para diminuir as perdas de estoque no seu negócio

Prevenir perdas de estoque não é uma ciência exata. O problema é
complexo, multidisciplinar e exige um esforço conjunto de várias áreas da
empresa. Afinal de contas, um problema de R$ 6,7 bilhões, que foi o total
de perdas estimada pelo estudo de prevenção de perdas da ABRAS para o
ano de 2018, não é pequeno. Além disso, a perda não é um problema que
se resolve e ponto final. Trata-se de uma doença crônica, como se diz no
jargão da medicina.

Ou seja, é algo que persiste dentro da empresa e precisa ser
constantemente remediado para se manter em níveis aceitáveis para não
matar o paciente. Para problemas complexos, não se pode dar soluções
simples. O tratamento leva tempo e precisa ser atacado em diversas
frentes em conjunto. Isto quer dizer que não se pode fazer uma ação e
deixar outra de lado. Elas precisam atuar em conjunto para remediar o
problema. Abaixo, listo oito ações que são efetivas em reduzir perdas de
estoque nas empresas, quando realizadas em conjunto:

1. Tenha controle sobre a apuração dos números

Tudo começa por um número de perdas que seja confiável e claro. E para
isto ocorrer, o lançamento das perdas identificadas, como avaria e
vencimento, precisa ser realizado sistematicamente na operação. Se o
setor de FLV (frutas, legumes e verduras) num supermercado perde 90%
dos itens por maturação e vencimento, não se pode permitir pontos de
venda com 50% de registro ou menos. Afinal, ninguém entra no varejista
para roubar berinjelas. Para medir as perdas desconhecidas, um
inventário bem realizado e com periodicidade adequada é fundamental.
Economizar com execução de inventário significa ter perdas altas, pois
rastrear uma alta perda com inventários anuais é praticamente
impossível. Para produtos de alto risco de perda, prefira os inventários
rotativos.

2. Incentive todas as áreas de negócio a reduzir as perdas

Estruturas de prevenção de perdas não conseguem resolver as perdas de
estoque sozinhas. Inclusive se os indicadores de performance das outras
áreas jogarem contra. Neste caso, a tarefa passa a ser sacrificante. Se a
margem da área comercial, por exemplo, considerar apenas a receita
menos o custo da mercadoria vendida, as perdas ficam em última
prioridade. Afinal de contas, não importa quanto produto eu joguei fora
para gerar a margem. O que importa é apenas o quanto se lucrou com os
produtos vendidos. Na logística, o mesmo princípio também pode ser
aplicado. Se o foco for especificamente na produtividade, incentiva-se a
agilidade e não a precisão da entrega. Ou seja, se a loja pede 10 caixas de
iogurte sabor morango, mas recebe 10 caixas de iogurte sabor ameixa, a
equipe de logística está feliz. Mas as perdas vão aparecer mais a frente.
Ou seja, o comercial deve ter visibilidade das perdas sobre o seu resultado
e a logística precisa mensurar e avaliar os erros de entrega e assim por
diante, em todos os elos do negócio.

3. Divulgue as perdas em todas as hierarquias do negócio

As perdas não são assunto só de executivos, ou só da operação, ou só da
prevenção de perdas. Como dito, prevenir perdas é tarefa multidisciplinar.
E, para isto, todos precisam entender e conhecer o problema dentro do
seu espectro de atuação. A operação precisa conhecer o número em toda
a estrutura hierárquica. Dos diretores, passando pelos gerentes distritais,
gerentes regionais, até o responsável pelo ponto de venda, todos devem
ter acesso constante ao seu resultado de perda. E este resultado deve ser
compreensível para todos os públicos e é preciso que seja apurado
também pela estrutura mercadológica, ou seja, por departamento, setor,
categoria etc. Por último, distinguir as perdas desconhecidas (furtos,
desvios) das perdas identificadas (avarias e vencimentos) é fundamental,
porque são problemas distintos com soluções distintas de ataque. No
final, a matriz com as perdas por estrutura operacional e mercadológica,
segregada entre perdas identificadas e desconhecidas, é uma ferramenta
elucidadora para identificar cirurgicamente o problema das perdas de
estoque.

4. Estabeleça a governança das perdas

Não adianta ter números e dados exatos se o problema não for atacado e
monitorado. Para isto, é importante ter fóruns dedicados para se falar do
tema. Comitês de perdas com as principais áreas de negócio, fóruns
regionais, pautas nas lojas, tudo isto é importante para gerar movimento
no tratamento das perdas. Uma ferramenta que funciona muito bem são
as áudio-conferências com todas as lojas, partindo das estruturas
corporativas. Esse mecanismo simples estabelece um comprometimento
alto nos pontos de venda porque mostram comprometimento e
engajamento da empresa em lidar com o tema. Além disso, aproximam a
sede das lojas, que às vezes nem conhece os executivos que conduzem a
empresa.

5. Analise menos e faça mais

Prevenção de perdas não é uma ciência exata. O ataque é sim baseado em
números e dados, mas ao final, algumas hipóteses devem ser traçadas e
atacadas. Muitas empresas focam em estressar os números e buscar a
precisão de onde exatamente as perdas aconteceram. Ou seja, se o
inventário aponta a perda relevante de protetor solar, o executivo decide
direcionar a energia da equipe em buscar a resposta de onde exatamente
esta mercadoria sumiu, ao invés de atacar as possíveis causas para que o
problema não ocorra mais. Isso pode ser extremamente improdutivo e
desgastante, pois gera desmotivação e paralisia. Afinal, não se precisa ter
todas as respostas para se traçar algumas hipóteses e atacá-las.

6. Empodere e apodere as lojas

Em todas as redes varejistas com alto volume de lojas, haverá pontos de
venda com bons e maus resultados. Existem sim fatores exógenos à loja
que contribuem para a perda. Mas a gestão da loja é determinante para
bons resultados. Afinal, se uma loja apresenta 1% de perda e a outra 5%,
mas ambas têm o mesmo processo logístico, a mesma estrutura e os
mesmos executivos, é bem provável que as causas estejam na loja.
Portanto, o líder da loja deve ter os mecanismos para comunicar e atuar
em prol da redução de perdas do seu ponto de venda, enquanto cabe às
estruturas corporativas ouvir a operação e tomar as ações para reduzir as
perdas.

7. Comemore bons resultados e compartilhe os ganhos

Mecanismos de incentivo são eficientes em reduzir as perdas, mas devem
ser usados com cautela. Resultados individuais não podem ser
recompensados se o coletivo não for atingido. Além disso, não se pode
premiar resultados de curto prazo. A conta pode chegar depois e a
premiação pode ser injusta. Além disso, não se pode exagerar nos
prêmios. As perdas são altas e a redução traz sim altos ganhos para as
empresas. Mas a ação sobre este tema não pode ser incentivada
exclusivamente por retornos financeiros. Uma alternativa interessante
para minimizar prêmios financeiros é usar a gameficação das perdas e
criar uma disputa saudável entre lojas, por exemplo, para atingir os
resultados.

8. Inove

Não dá para prevenir perdas utilizando técnicas que são literalmente do
século passado. Afinal de contas, a prevenção de perdas veio ao Brasil em
meados dos 90 e muitas áreas trabalham do mesmo jeito até hoje.
Inovação em prevenção de perdas vai além de equipamentos de
segurança. Existem novas formas de avaliar as perdas com Machine
Learning, controlar equipamentos e equipes de campo com IOT (Internet
das Coisas), realizar processos e controles em aplicativos, dentre outras
novidades.

Estas oito dicas aplicadas em um programa de redução de perdas, com
certeza, trarão resultados efetivos para o aumento da rentabilidade do
negócio. Mas o caminho não é rápido, muito menos simples. Assim como
as doenças crônicas, o tratamento leva tempo e não pode ser abandonado
nunca.

*Rodrigo Castro, diretor de riscos e performance na ICTS Protiviti

Fonte: Portal New Trade

FCDL Notícias
  • 34% das redes regionais não investiram em tecnologia

    Continue lendo Clique e leia
  • O compliance digital no contexto das pequenas e médias empresas

    Continue lendo Clique e leia
  • Conheça as 11 formas de pagamento mais usadas atualmente

    Continue lendo Clique e leia
  • Varejo atual precisa estar “próximo, disponível e pronto para o cliente”

    Continue lendo Clique e leia
  • O que vale mais: experiência extraordinária ou experiência sem fricção?

    Continue lendo Clique e leia
  • Um olhar sobre o varejo atual: tudo o que sua empresa precisar saber

    Continue lendo Clique e leia
Veja mais