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Como saber se o seu consumismo virou doença, a oneomania

São Paulo – Assim como fumar, beber ou jogar, consumir pode se tornar um vício e não ser uma escolha. Com nome esquisito, a oneomania – mais conhecida como consumo compulsivo – atinge entre 2% e 8% das pessoas no mundo, com muito ou pouco dinheiro, que escondem as sacolas e sofrem com as compras.

A doença atinge principalmente as mulheres: a proporção é de quatro mulheres para cada homem. O transtorno frequentemente leva ao superendividamento, mas nem todo superendividado sofre de consumo compulsivo.

“Não é uma questão de falta de planejamento financeiro e de acesso à informação. É uma doença, que atinge todas as classes socias”, explica a psicóloga Tatiana Filomensky, coordenadora do tratamento para consumidores compulsivos do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP e presidente da Associação Viver Bem.

Mas o que diferencia um consumista de um comprador compulsivo? O sofrimento psicológico que a compra causa. Quem tem o transtorno sente euforia enquanto compra, mas não sente prazer ao abrir as sacolas quando chega em casa. Enquanto o consumista gosta de mostrar as compras que fez, o comprador compulsivo tem vergonha e esconde.

“É uma ressaca. Depois que acaba a compulsão do momento, a pessoa sente profunda depressão e desinteresse pelo que comprou”, explica a psicanalista Denise Gimenez Ramos, professora titular do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC-SP.

Além do sofrimento, as dívidas são consequência da doença. O comprador compulsivo faz compras com frequência, não pergunta o preço e às vezes adquire todas as cores e formas possíveis do mesmo item.

Quem sofre do transtorno precisa de ajuda. O tratamento normalmente inclui a combinação de psicoterapia com medicamentos, que podem ser antidepressivos, ansiolíticos ou os dois. O apoio de grupos como o Devedores Anônimos também é importante.

O consumo compulsivo faz parte do mesmo grupo de transtornos do vício em jogos. Consumir é uma dependência para quem teve dificuldades de desenvolver autonomia emocional na transição da infância para a vida adulta, como explica o psicanalista Pedro de Santi, professor da ESPM.

“A dependência é o encontro de uma estrutura emocional frágil desde a infância com um grande apelo de consumo na sociedade”, explica. Santi esclarece que consumir não é errado e que só se torna um problema quando o consumidor sofre de abstinência e não consegue escolher quando comprar.

Fonte: Exame.com

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