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Desorganização e preocupação na recuperação. Haja flexibilidade!

Era de se imaginar e estava parcialmente precificada que a recuperação, em especial a que ocorre em formato V, aprofundaria a desorganização de mercado gerada pela pandemia. O que não estava considerado, e talvez nem houvesse condições para isso, é que a retomada seria marcada por aumento da inflação e restrição de abastecimento, em especial em alguns setores e segmentos.

A combinação das dramáticas restrições que afetaram alguns setores, como moda, calçados, móveis, alimentação fora do lar, turismo e outros serviços, com a concentração da demanda potencializada pelo auxílio emergencial nos bens essenciais, beneficiando alimentos, medicamentos, cuidados pessoais e material de construção, mais as restrições na produção durante todo o período inicial e os impactos da escalada do dólar e a demanda externa em algumas categorias ligadas ao segmento agro potencializaram a desorganização do mercado a que assistimos agora e que estará presente nos próximos meses.

Tudo isso num cenário em que atingimos 14% de desemprego, a economia retoma não em formato V, mas talvez em J, como nos colocou um líder varejista beneficiado pelo quadro geral. E em que a escassez de algumas categorias precipita aumentos de custos e preços que têm de ser repassados e as alternativas de abastecimento global são mais limitadas, como no caso do arroz. Como resultado, temos inflação elevada, especialmente em alimentos, combinada com desabastecimento e encarecimento de insumos, como aço, ferro, alumínio, resinas, celulose e caixas de papelão, só para citar alguns analisados em recente estudo produzido pela Fiesp-Ciesp que fez ampla análise comparativa envolvendo evolução dos preços, impactos da desvalorização cambial e uso da capacidade instalada. É a mais clara manifestação da lei da oferta e procura combinada com a desorganização global das economias regionais potencializadas pelas ondas sucessivas da pandemia.

Só o tempo e ações e intervenções pontuais permitirão um novo patamar de reequilíbrio e, no caso brasileiro, a gradativa retomada do mercado de forma ampla, a melhoria do emprego e a redução, já iniciada, do valor do auxílio emergencial. E, em qualquer situação, tudo isso será potencialmente acelerado pela disponibilização da vacina em escala massificada. Na visão do tempo, talvez devêssemos nos preparar para conviver com os resultados dessa desorganização ainda ao longo da maior parte de 2021, mas, também neste caso, qualquer generalização é muito perigosa, pois são realidades setoriais e regionais muito distintas entre si. E o efeito decisivo da efetividade e velocidade de disponibilização da vacina continua a ser uma incógnita.

Como conviver com tanta incerteza e indefinição? Se no período mais crítico da pandemia fomos contingenciados a tornar a flexibilidade e a agilidade os conceitos mais relevantes para aquele momento, tudo indica que teremos de repensar quase tudo nas organizações e nos negócios, para não dizer na vida, e pensar, decidir e agir num ambiente dominado pela incerteza. Para muitas organizações, essa flexibilidade e agilidade complementaram outros fatores já positivos em termos de visão, estratégia, recursos e competências. E isso as fez saírem melhores de todo o processo. Os exemplos aí estão em profusão daqueles que saíram muito maiores e melhores da pandemia.

Outras tiveram de incorporar esses comportamentos para a sobrevivência possível e se dedicarão agora a incorporar ou desenvolver competências complementares para conviver no futuro normal. Outras tiveram ou têm dificuldade de transformar sua cultura, sua estrutura e seu modelo organizacional para conviver num cenário dominado pelo que caracterizamos o mundo VUCA elevado a 5G. O que deve que ficar claro é que as incertezas serão elementos dominantes e nossa companhia permanente nos cenários atuais e futuros e, não importa o tamanho e a relevância de nossos negócios, temos de repensar cultura, organização, estrutura, processos e tecnologia para conviver para sempre com esse legado exponenciado pela pandemia.

* Por Marcos Gouvêa de Souza, diretor geral e fundador da Gouvêa Ecosystem.

 

Fonte: Mercado & Consumo

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