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Encomendas do varejo vão puxar venda de materiais

As vendas de materiais de construção serão puxadas, neste ano, pelas encomendas do varejo à indústria de materiais para atender à demanda de consumidores para autoconstrução ­ reformas e pequenas ampliações. A fatia vendida ao varejo, que costuma ser de metade do total, deve aumentar para 55% neste ano, enquanto a parcela destinada a construtoras cairá para 45%, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover.
Em 2017, o desempenho da indústria poderá ficar estável, segundo Cover, desde que haja repasse da queda da taxa básica de juros para o mercado e mais oferta de crédito. Sem esses fatores, haverá queda igual à de 4% a 5% esperada para o primeiro semestre, na avaliação do presidente da Abramat.
As vendas da indústria de materiais caíram 11,5% em 2016, na terceira retração anual consecutiva da indústria. Em fevereiro, houve retração de 15,1% e, no primeiro bimestre, queda de 16,8%. Da fatia de materiais direcionada pelas indústrias às construtoras, dois terços vão para o mercado imobiliário e um terço, para infraestrutura. O volume de entregas de empreendimentos previsto pelas incorporadoras para 2017 é inferior ao de obras concluídas no ano passado. Novas parcerias público­privadas (PPPs) só são esperadas pelo presidente da Abramat para 2018. Com isso, a fatia direcionada às construtoras deve ser reduzida.
A fabricante de metais sanitários Docol, por exemplo, estima comercializar, em 2017, mais produtos para revendas ­ canal de escoamento de 80% dos seus produtos ­, mas projeta menos encomendas por parte das construtoras, em decorrência da redução dos lançamentos imobiliários dos últimos anos, segundo o presidente, Guilherme Bertani.
A Docol espera repetir, neste ano, o faturamento de R$ 330 milhões registrado em 2016. No ano passado, houve queda de 7% das vendas, e a Docol reduziu o quadro de funcionários em 10%. “O primeiro semestre de 2016 foi bastante difícil. Com a piora da crise, as revendas ajustaram os estoques”, diz Bertani.
Segundo o presidente da Docol, o estoque médio de metais sanitários nas revendas, tradicionalmente de 120 dias, chegou a seis meses no ano passado. A normalização dos estoques contribuiu para que, no primeiro bimestre, o desempenho fosse melhor na comparação anual.
Com participação de mercado em metais sanitários estimada de 18% a 20%, a Docol não conseguiu repassar para os preços todo o aumento de custos de 2016 e perdeu margem, de acordo com o presidente. Outro elemento que tem dificultado as operações da empresa, segundo Bertani, é o impacto da variação do dólar nas exportações, que correspondem a 20% das vendas totais. O uso da capacidade instalada da Docol está em 65%.
Mais otimista, a fabricante de duchas, chuveiros elétricos, metais sanitários e purificadores de água Lorenzetti, estima crescimento de “dois dígitos” em 2017, depois de elevar seu faturamento em 8,6% no ano passado, para R$ 1,19 bilhão. “A inflação e os juros estão em queda, e a inadimplência parou de subir. O consumidor voltou a comprar. O fundo do poço já passou”, afirma o vice-presidente executivo da Lorenzetti, Eduardo Coli. Na avaliação do executivo, o único indicador ainda preocupante é o desemprego.
As expectativas para este ano são bastante distintas das que a Lorenzetti tinha no começo de dezembro. Na ocasião, Coli disse ao Valor que esperava expansão, em 2017, de um dígito baixo e avaliava que este ano seria mais difícil do que o passado. “Graças a Deus, eu estava errado”, afirma, acrescentando que já começa a ocorrer o que se previa para a economia no segundo semestre. No primeiro trimestre, as vendas da empresa devem ter expansão de 6,5%. O executivo diz esperar que o setor de construção cresça em 2017.
A Lorenzetti vai retomar, neste ano, o patamar de investimentos correspondente a 10% do seu faturamento. Em 2016, ano em que menos investiu, a empresa reduziu a fatia dos aportes para 4% do total. A queda ocorreu, principalmente, em novos negócios. A empresa voltou também a buscar aquisições no segmento de materiais de construção.
Outra empresa que tem aquisições no radar é a Saint­Gobain. Neste ano, o grupo fechou duas compras: a da Adespec, de adesivos e selantes, e a da varejista de materiais Tumelero. “Espero fechar mais duas a quatro aquisições em 2017”, diz o presidente da Saint­Gobain para Brasil, Argentina e Chile, Thierry Fournier.
O executivo estima que será possível o grupo elevar seu faturamento com vendas de materiais e manter o volume estável neste ano. “Saneamento e infraestrutura melhoram um pouco, mas o segmento de novas obras ainda será difícil em 2017”, diz. Em 2016, a receita da SaintGobain em materiais de construção ficou estável, mas o volume comercializado teve queda de 6%.
Na avaliação de Fournier, o ano de 2017 será de transição. “A retomada ocorrerá em 2018”, diz. No primeiro bimestre, os volumes ficaram um pouco abaixo da previsão. “Em março, o desempenho está um pouco melhor”, diz o executivo.
Atuante em lâmpadas e luminárias, a Ourolux estima expansão acima de 10% em faturamento e volume neste ano, impulsionada, principalmente, pela reposição de lâmpadas, segundo o diretor comercial da Ourolux, Antonio Carlos Pazetto. No ano passado, a empresa elevou seu faturamento em 12% e vendeu volume 16% maior. Foi necessário baixar preços para ganhar participação de mercado, mas não estão previstas reduções em 2017. Novos produtos e o início da operação de centro de distribuição em Pernambuco também contribuíram para o bom desempenho.
No início de fevereiro, o presidente da fabricante de tubos, conexões, ferramentas para pinturas e de portas e janelas Tigre, Otto von Sothen, disse ao Valor que esperava retomar o crescimento, neste ano, após queda de 5% no faturamento do ano passado, para R$ 3,36 bilhões. No mercado interno, a Tigre projeta expansão de 4% em volume e 9% em receita e, incluindo os negócios fora do país, aumento de 6% nas vendas físicas e de 13% no faturamento.
A Fortlev, líder em caixas d’água e fabricante de tubos e conexões em PVC, estima vendas maiores neste ano, após ter registrado estabilidade em 2016, segundo o diretor comercial e de marketing, Wenzel Rego. No ano passado, o aumento da comercialização de produtos da Fortlev para revendas compensou a queda das encomendas das construtoras. “A empresa está confiante que o mercado vai melhorar”, diz Rego. Nos próximos dois anos, a Fortlev vai investir em duas novas fábricas, uma em Minas Gerais e outra no Ceará. Atualmente, tem seis unidades.
As vendas internas preliminares de cimento tiveram queda de 15,3% em fevereiro, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), para 3,903 milhões de toneladas na comparação anual. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, os fabricantes de cimento acumulam retração de 9% nas vendas domésticas, para 9,029 milhões de toneladas. Em 12 meses, a queda acumulada é de 11%, para 56,424 milhões de toneladas.
No primeiro bimestre, as vendas do varejo de materiais de construção cresceram 1% ante o mesmo período do ano passado, conforme a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). Em fevereiro, porém, houve queda de 3%. Ainda assim, é esperado crescimento de 3% no primeiro semestre e de 5% no acumulado do ano.

Fonte: Portal Valor Econômico

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