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Filhos influenciam pais nas compras

Nove em cada dez pais são influenciados pelas crianças quando vão às
compras

Eles não têm renda, conta bancária ou cartão de crédito. Mas são os
grandes influenciadores na compra de supermercado. Têm até o poder de
vetar marcas. É uma constatação que pode soar assustadora, quando se
descobre que esse poder todo está nas mãos de crianças com até 12 anos
de idade. Nove em cada dez pais admitem que são influenciados pelos
filhos quando vão às compras, e 70% reconhecem que gastam mais
quando estão acompanhados deles.

Os resultados fazem parte de uma pesquisa feita no início deste mês com
quase 5,5 mil pais em sete regiões metropolitanas do País pelo Instituto
Locomotiva em parceria com a Dotz, um dos maiores programas de
fidelidade do varejo brasileiro, que disponibilizou a sua base de dados
para a execução do estudo.

Filhos com idade entre 4 e 12 anos são os que mais interferem nas
compras de supermercado, especialmente de guloseimas, como
chocolates, refrigerantes e achocolatados. Isso é atestado pela
representante comercial autônoma Monique Olsson, de 33 anos, mãe de
Lorena, de 6 anos. “Vou toda a semana ao supermercado e, quando levo
minha filha, gasto muito mais, porque acabamos comprando sorvete,
bolacha recheada”, conta.

A cada visita ao supermercado, Monique gasta R$ 500. Se fosse sem a
filha, calcula que desembolsaria R$ 400. Ela diz que atende aos pedidos da
filha na hora de escolher os produtos, mas não dá sinal verde para tudo
que ela quer comprar.

Essa situação hoje é completamente diferente da época em que Monique
era criança. “No meu tempo, refrigerante era só no final de semana, tudo
era mais restrito e os pais decidiam”, lembra.

Surpresa

Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, os resultados
da pesquisa foram uma surpresa. “O poder das crianças é maior do que o
senso comum imagina, quando 88% dos pais admitem a influência dos
filhos na hora da compra de todos os produtos vendidos nos
supermercados, não apenas guloseimas.”

Não é sem motivos que 92% dos entrevistados declararam que levam os
filhos ao supermercado só de vez em quando. Dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que existem no Brasil
38,2 milhões de crianças com até 12 anos de idade. As regiões Norte e
Nordeste reúnem a maior parte dos pequenos: 15,5 milhões de crianças. A
grande maioria (88%) pertence às famílias de menor renda, das classes C,
D e E.

Meirelles observa que o cruzamento das informações sobre o perfil dessa
população com os resultados da pesquisa explica o motivo pelo qual os
pais de famílias de menor renda evitam levar os filhos quando vão às
compras.

A enquete revelou também que 70% dos pais dão mais importância para
as marcas de produtos usados pelos filhos do que as preferidas por eles
mesmos. Refrigerantes (68%), achocolatados (62%) e chocolates (60%) são
itens com marcas mais conhecidas dos filhos.

Diante da forte legislação existente em relação à publicidade infantil,
Meirelles acredita que a influência das marcas vem da internet e também
dos amigos de escola. A mãe de Lorena, por exemplo, diz que o que a filha
consome tem bastante influência dos amiguinhos. “Mas também ela sabe
o que ela gosta”, pondera.

Lógica

Dados qualitativos da enquete revelaram informações, no mínimo,
curiosas sobre o comportamento de pais em relação ao consumo dos
filhos. Meirelles conta que as respostas dos entrevistados mostraram que
as classes de maior renda aprovam o consumo infantil como um sinal de
indulgência. “Dão um chocolate para a criança ficar feliz.”

Para as famílias de menor renda essa lógica é diferente, diz o presidente
do Instituto Locomotiva. Querem proporcionar para os filhos tudo o que
eles mesmos não tiveram acesso.

Na opinião de Meirelles, para os mais pobres vale no consumo a lógica do
investimento e a aposta de que o filho bem sucedido pode ser um arrimo
da família no futuro. Isso, segundo ele, abre uma grande possibilidade
para o varejo e a indústria na venda de produtos premium, de melhor
qualidade.

Fonte: Portal New Trade

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