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Fornecedor deixa de entregar e afeta Leroy

Maior varejista de material de construção e decoração do Brasil, a Leroy Merlin teve em 2016 o seu pior ano desde a chegada ao país, em 1998. Além da retração da demanda, reflexo da mais dura crise de consumo que afetou o setor, a empresa sentiu efeitos da falta de mercadorias nas lojas. A rede só recebeu no prazo combinado a metade dos produtos encomendados à indústria em 2016 ­ e o índice continua nesse patamar neste ano.

A taxa ficou entre 30% entre 2012 e 2013. Para esse indicador, a empresa considera lotes de mercadorias que não foram entregues na data ou tiveram entrega parcial. Na França, sede do grupo, o índice varia de 5% a 8%. Com 80 mil itens à venda, a empresa negocia com um número maior de fornecedores no Brasil e, por isso, fica mais exposta aos problemas da indústria. Como a crise afetou fabricantes de diferentes portes, especialmente pequenos e médios, nem sempre é fácil achar substitutos. A rede tem 40 lojas no país.

“Eu entendo o problema de algumas indústrias, que têm acesso a capital de giro caro e precisaram fazer cortes e reduzir produção para conseguir se adaptar [à crise]. Mas isso nos afeta diretamente”, disse o francês Alain Ryckeboer, diretor­geral da Leroy Merlin. “Acho que estamos saindo da crise, janeiro e fevereiro foram bons meses de venda, e precisamos atingir patamares menores de atrasos”.

A queda no consumo em crises econômicas ­ efeito de retração na renda e maior desemprego ­ também reflete (em menor escala) o aumento de rupturas nas lojas. O cliente chega disposto a comprar, mas não acha o produto. As vendas da Leroy Merlin no Brasil cresceram 5% (valores nominais) em 2016. O desempenho foi o menor registrado pela companhia, mas está acima do obtido pelo mercado. O setor fechou o ano com queda de 11,5% nas vendas, segundo a associação da indústria (Abramat). Os índices já foram bem melhores: entre 2005 e 2015, a cadeia cresceu, em média, 15% ao ano.

A empresa verificou queda no tíquete médio, mas não no tráfego em 2016. Nas vendas, a desaceleração foi mais forte em itens que exigem maior investimento (cimento, areia), mas houve aumento em itens de decoração, metais, acessórios para banheiro, entre outros.

Para este ano, a estimativa da empresa é de expansão mais acelerada nas vendas, com alta de 10% sobre 2016, quando o faturamento atingiu pouco menos de R$ 5 bilhões. Se chegar a 10% em 2017, a soma deve atingir R$ 5,4 bilhões.

Ryckeboer disse que, na tentativa de aprimorar a troca de informações sobre vendas e estoque, para reduzir rupturas, a Leroy Merlin passará a operar, em abril, um portal com informações ao fornecedor, com dados sobre o processo de recebimento das mercadorias. A rede também fez um ajuste recente na forma como encaminha pedidos para a indústria. “Paramos de mandar vários pedidos por loja, o que torna o processo mais complexo para o fabricante. Tentamos unificar o que é possível em pedidos únicos”.

Com a expectativa de melhora ­ apesar de gradual ­ no consumo a partir deste ano, e com iniciativas da rede, a companhia acredita que a taxa de nível de serviço da industria atingirá 85% em “algum momento”, disse o executivo, sem mencionar prazo.

Paralelamente, a Leroy Merlin decidiu fazer outros ajustes. Começou a trocar todo o sistema de gestão da área administrativa (“back office”) e das lojas, mudando de um sistema nacional para o da empresa alemã SAP. Isso foi iniciado em 2011 e deve reunir investimentos de R$ 265 milhões. A expectativa é que essa mudança termine no fim de 2018.

Quando isso for concluído, a Leroy Merlin pretende voltar a investir de forma mais acelerada em expansão orgânica ­ o que deve ocorrer a partir de 2019. No ano passado, a empresa fez três aberturas. Estavam previstas seis, mas houve adiamentos. Em 2015, foram cinco inaugurações. Em 2017, duas lojas devem ser abertas.

Neste intervalo de tempo, até a retomada mais acelerada de inaugurações, Ryckeboer disse que a rede vai ampliar o volume de itens expostos no site. Hoje são 60 mil. Pelo site, o cliente vê em que loja o produto está para fazer a compra (também pode fazer a encomenda por telefone). A ideia é que até o fim de 2018, seja possível ver o estoque de mais lojas pelo site, e esse número atinja 200 mil itens. “Nossa ideia é que seja possível ver pelo nosso site o estoque do nosso fornecedor, podendo chegar a 1 milhão de itens”, diz o executivo.

Fonte: Valor Econômico

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