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Frio já impulsiona vendas do varejo em todo o país

A chegada das frentes frias na região Centro-Sul na última semana impulsionou as vendas da Renner. “As vendas da última semana quase nos colocaram na meta para o trimestre”, afirmou José Galló, presidente da Renner. O executivo disse que, em dias frios, as lojas podem vender de 30% a 40% a mais do que o esperado para o período.

A Renner viu os consumidores reduzirem o ímpeto por compras em abril, por conta do clima mais quente que o normal na região Centro-Sul. “Existe uma correlação direta entre o clima e as vendas de inverno”, disse Galló.

Na avaliação do executivo, o ambiente macroeconômico é favorável à melhora do consumo, com inflação e juros baixos, redução no endividamento das famílias e melhora na confiança do consumidor. “A eleição gera insegurança. O dólar alto também não é positivo. Mas acreditamos que, nesses momentos, marcas fortes têm mais oportunidades”, disse Galló.

A Renner informou também que é afetada pela greve dos caminhoneiros. Para Galló, a proposta do governo de zerar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para reduzir em 5 centavos o preço do litro do diesel não resolve o problema. “Reduzir em 5 centavos é pouco. Houve muitos aumentos nos preços dos combustíveis. E isso gera preocupação não só para os caminhoneiros, mas para todos, sobre o risco de volta da inflação”, disse Galló.

Especificamente em relação à Renner, Galló disse que a coleção de inverno está nos centros de distribuição, o que reduz o risco de perdas. “Tudo que era importado já está conosco. Mas o problema é que os produtos precisam ir dos centros de distribuição para as lojas de caminhão.”

O executivo participou de evento em São Paulo para lançar uma coleção de jeans reciclado com o selo “Re”, como parte de iniciativas na área de sustentabilidade. A coleção de jeans femininos possui calças, shorts, blusas e vestidos. Galló disse que a meta é vender 120 mil itens no ano, sendo que 40 mil chegam às lojas agora.

Vinicius Malfatti, gerente sênior de sustentabilidade da Renner, disse que a varejista vendeu no ano passado 3 milhões de peças feitas com matérias primas sustentáveis, como fios reciclados, feitos a partir de material têxtil ou plástico, algodão certificado e o liocel (fibra extraída da madeira). Para 2018, a meta é vender 10 milhões de itens.

Galló disse que o custo de produção das roupas é o mesmo em relação às fabricadas com tecidos tradicionais. O preço das peças também está em linha com outras coleções. Segundo ele, a rede investe ainda em iniciativas sustentáveis na instalação de suas lojas.

A Renner faz parte de um grupo de varejistas que busca atender à preocupação crescente do consumidor com o ambiente. Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), disse que suas associadas têm realizado ações na área de sustentabilidade. A entidade reúne as principais redes de moda do país, como C&A, Forever 21, Cia. Hering, Marisa, Inbrands, Renner, Restoque, Riachuelo e Zara (Inditex).

A C&A tem como meta global chegar a 2020 usando apenas algodão sustentável (que requer menos água e agrotóxicos na produção). Atualmente, 40% das peças de algodão da companhia são desse tipo. A empresa lançou em 2017 a primeira coleção feita com algodão biodegradável, vendida no Brasil e no exterior. Neste ano, a C&A lançou no país uma linha masculina de jeans feita com material reciclado e uma nova coleção de camisetas biodegradáveis.

No Brasil, o Grupo Malwee produz há sete anos roupas com fios reciclados de tecidos descartados, fios feitos a partir de garrafa PET, entre outros. Taise Beduschi, gestora de sustentabilidade do Grupo Malwee, disse que a empresa vendeu 1,3 milhão de peças feitas com materiais sustentáveis em 2017, o equivalente a 4% das vendas totais.

A Zara lançou globalmente, em 2016, a primeira coleção feita com matérias primas recicladas, fibras biodegradáveis e algodão orgânico. A linha, chamada Join Life, é vendida no Brasil. A companhia também coleta roupas em 598 lojas na Europa e na China para reciclagem. Até 2020, a meta é levar o projeto a 2 mil lojas no mundo. Outras gigantes de moda, como Hennes & Mauritz (H&M), Gap, Levi Strauss & Co. e Burberry, também desenvolvem coleções feitas com materiais sustentáveis.

Na área esportiva, a Nike afirma que 75% de todos os seus produtos no mundo contêm algum tipo de material reciclado, como fios feitos a partir de garrafas plásticas e poliéster reciclado. A companhia tem como meta usar 100% de energia renovável na América do Norte até 2019. A rival Adidas, por sua vez, fabrica tênis a partir de garrafas plásticas retiradas do oceano. Em 2017, vendeu 1 milhão de pares desses calçados, reciclando 11 milhões de garrafas plásticas.

A Fundação Ellen MacArthur estima que os consumidores no mundo desperdiçam, em média, US$ 460 bilhões por ano descartando roupas que ainda poderiam ser usadas. Segundo a fundação, só 1% das roupas produzidas no mundo são recicladas atualmente.

Fonte: Portal Valor Econômico

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