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Incerteza na Via Varejo divide mercado

Mais dúvidas do que certezas dominam a tese de investimento nas ações de uma das mais importantes varejistas da bolsa: a Via Varejo. Com o futuro incerto da empresa depois do anúncio da saída do Grupo Pão de Açúcar (GPA) do seu capital, os investidores estão divididos entre os fundamentos positivos do papel e as perguntas – ainda sem respostas – sobre quem vai comandar a companhia e qual será a estratégia dela no longo prazo.

O GPA disse, em dezembro, que quer vender toda a sua posição na Via Varejo até o fim de 2019. O grupo fará isso para um “comprador estratégico” ou via mercado. A GPA tem atualmente 39,36% de fatia na varejista, enquanto a família Klein, segunda maior acionista, tem 25,53%. Os demais 35,09% estão em circulação no mercado.

Se um investidor se oferecer para comprar o capital da Via Varejo e, nessa transação, chegar a 20% do capital, será obrigado a estender a oferta aos demais acionistas – regra chamada de “tag along”, definida em estatuto. Como não encontrou um comprador estratégico, o GPA está vendendo sua participação na bolsa aos poucos.

Duas vendas por meio de “block trade” já foram feitas: a primeira, em 27 de dezembro, foi de 3,86% do capital. A segunda tranche, de 3,09% dos papéis, foi vendida na segunda-feira. A pressão gerada com essas operações já levou a Via Varejo a acumular queda de 22,7% na bolsa em fevereiro. É o pior desempenho mensal entre todos os papéis do Ibovespa, que tem leve baixa de 0,09% no mês – ontem, o índice caiu 0,30%, aos 97.307 pontos De um lado, a saída do GPA da composição da Via Varejo não assusta o investidor. Os fundamentos ainda sustentam a aposta, sobretudo com a expectativa de crescimento da atividade econômica. Segundo gestores, trata-se de uma empresa que está bem posicionada, com uma capilaridade muito grande em dos setores que reage mais rapidamente à expansão do consumo e da renda das famílias – a Via Varejo é dona das importantes marcas Casas Bahia e Pontofrio.

Por outro lado, sobram questionamentos. Quem vai controlar a Via Varejo? A família Klein vai assumir essa posição? A empresa terá capital pulverizado? Quem será o acionista majoritário? Não se sabe. A questão do comando e controle na Via Varejo é central na avaliação de alguns analistas que acompanham a empresa. O acordo de acionistas de julho de 2010 que regia as relações entre família Klein e o GPA deixou de valer quatro anos atrás, e não há mais um contrato que regule as condições entre as partes.

É precisamente por isso que o aluguel das ações da Via Varejo se aqueceu recentemente. O mercado de aluguel de ações, chamado de BTC, é um dos indicativos de que o investidor está apostando na queda do preço de um ativo. Nessa operação, um investidor que aluga o papel – chamado de tomador – ganha ao fazer a venda a descoberto – ou seja, quando ele vende o papel alugado, esperando que a cotação caia. O investidor pode, na sequência, comprar o ativo no mercado à vista, mais barato, para “cobrir” sua posição junto ao doador do papel.

Como os investidores já sabem que o GPA vai sair da operação da companhia, a perspectiva de desvalorização da ação motiva a busca por aluguel desses papéis. Em uma semana, o número de ações da Via Varejo alugadas cresceu 20 milhões, saindo de 45 milhões de papéis alugados no dia 19 para 65 milhões ontem. Em janeiro, esse número era de 37 milhões.

Isso quer dizer que, em um mês, o incremento da demanda por aluguel da ação subiu 75%. Dados da corretora Necton mostram que cerca de 10% das ações em circulação da Vai Varejo estão alugadas.

Outro indício da alta procura pelo aluguel é a taxa cobrada do tomador na operação. Quando há poucos papéis disponíveis no mercado para realizar esse tipo de operação, a taxa sobe. Numa lista de todos os papéis que fazem parte do índice IBrX-100, a ON da varejista chegou ao quarto lugar entre as maiores taxas cobradas: 10,34% ao ano.

Apenas Porto Seguro ON (24,05%), IRB Brasil (10,88%) e Gafisa ON (19,23%) têm taxas maiores. Na comparação com outras varejistas, a diferença fica ainda mais evidente: a taxa para alugar B2W ON é de 3,54%; no caso da Lojas Americanas PN, é de 0,28%.

Segundo Fernando Barroso, diretor da CM Capital Markets, a saída do GPA não é uma sinalização boa e vai pressionar o papel. Depois da publicação do balanço do quarto trimestre, que desagradou o mercado, mais pressão sobre o ativo é esperada. No entanto, mesmo com a pressão gerada pela saída do GPA do capital, a Via Varejo ainda não movimentou, por exemplo, o mercado de opções de ações, muito usado como forma de proteção.

“Ter Via Varejo é interessante. A aposta é simples: o primeiro setor a apresentar retorno com a melhoria da atividade brasileira é o varejo. Tenho 5% dela na nossa carteira: quando o papel sobe, eu vendo; quando cai, eu compro, para manter o percentual”, diz Barroso.

“A empresa está numa situação em que pequenas mudanças geram grandes resultados. Nossa aposta é que o sistema novo de lojas vai começar a entregar resultados”, afirma Luiz Fernando Alves, fundador e gestor da Versa Asset, que comprou mais ações da varejista após a queda recente – e doou praticamente todas.

Alves diz que a saída do GPA é uma pressão que, sem dúvida, atrapalha na valorização da Via Varejo na bolsa. No entanto, quando um acionista não quer participar do controle, é mais adequado que ele deixe o negócio para que outro grupo possa tocá-lo – sejam os Klein, sejam fundos minoritários, sejam outros acionistas.

Fonte: Valor Econômico

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