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Marisol volta à infância para não perder importância no segmento de moda

Dono das marcas Lilica Ripilica, Marisol, Mineral Kids e Tigor T. Tigre, o grupo Marisol construiu seu nome vendendo roupa infantil. Mas, no começo da década, arriscou um aumento do seu portfólio com a compra da Rosa Chá e outras marcas de moda adulta. Não demorou muito, e a empresa voltou para o seu lugar de origem, de moda para crianças.

Segundo Marco Donini, presidente do grupo, a estratégia passou a ser apostar todas as fichas no mercado que a empresa dominava, voltando a atuar 100% focada na venda de roupas infantis, que representam 18% do mercado de moda no Brasil. “A ideia foi forçar ao máximo o nível de especialização. Essa é uma indústria muito fragmentada e o alto número de variáveis impõe um desafio enorme para a gestão, além de impactos nos gastos em escala e, consequentemente, nos resultados”, explica o empresário, que será palestrante no BR Week deste ano, evento que reúne os maiores nomes do varejo.

Donini aponta que as seis maiores marcas de moda no Brasil respondem por apenas 8% do mercado e que a dispersão é um desafio para que as empresas encontrem estabilidade e possibilidades de expansão. “Ano passado, algumas empresas tentaram fazer consolidação, mas nenhuma das tentativas resultaram em aglutinação”, afirma.

Omnichannel

Hoje, a internet representa 8% das vendas de todas as marcas da Marisol. O grupo tem 130 lojas na rede de franquias, sendo oito próprias, além de 10 outlets e 280 lojistas licenciados. A principal dificuldade em tempos de omnichannel é a questão da tributação.

“O cliente vai à loja física e escolhe três produtos, mas um deles não tem na cor que ele deseja e é preciso vender on-line. Assim, eu vou precisar fazer duas vendas com tributações diferentes”, explica. Ele destaca também a dificuldade do varejo de acompanhar a necessidade do consumidor de receber o produto em um tempo cada vez menor. Para o presidente da Marisol, o custo do frete é outro desafio importante.

Precarização na cadeia

Donini aponta que o mercado de moda sofre particularmente com a informalidade ao longo da cadeia, o que dificulta a atuação dos players que se propõem a atuar dentro da lei. Ele afirma que a pirataria continua a crescer e que a questão de uso de mão de obra escrava está, “na melhor das hipóteses, no mesmo estágio que o percebido em anos anteriores”, mesmo com as notícias de marcas sendo condenadas por uso de mão de obra análoga à escravidão.

Como membro da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e da Confecção (ABIT), Donini acompanha de perto as questões relacionadas à precarização do trabalho e afirma que é uma realidade ainda muito presente. “Estudos da ABIT estimam que 35% do que se consome de moda no Brasil tem algum nível de informalidade, total ou parcial”, alerta o empresário.

Fonte: Portal No Varejo

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