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Mercado Livre aposta no setor de beleza para crescer

O futuro do site de comércio eletrônico Mercado Livre está no setor de beleza. O
segmento é o que mais cresce para o site no Brasil. Nos últimos quatro meses, o
aumento nas vendas do setor de lifestyle (que abarca saúde, beleza e moda) foi de
28%, e a categoria já a segunda maior do marketplace.
Dentro do setor, os produtos de maquiagem e beleza são vistos como os de maior
potencial pela empresa. Por isso, o Mercado Livre tem se empenhado em buscar
parcerias com grandes marcas interessadas em ter sua própria loja dentro do
maketplace. Quem entrar no site hoje poderá encontrar lojas próprias de marcas
como O Boticário, Avon, M.A.C e Maybelline. A mais recente é a da Smashbox,
marca criada pelo fotógrafo Davis Factor em Los Angeles nos anos 1990.
“O segmento de lifestyle tem crescido acima da média do Mercado Livre como um
todo e estamos empenhados em trazer grandes marcas para vender no site” afirma
Cristina Farjallah, diretora de Marketplace do Mercado Livre. Em valor vendido, o
segmento é o segundo do site, atrás apenas do setor de eletrônicos, cujas vendas
são mais esporádicas, mas têm ticket médio maior. Já em número de itens vendidos,
o lifestyle já é o primeiro. Outros segmentos que se destacam para o marketplace
são autopeças e itens para a casa.
Para as marcas, a principal vantagem de ter uma loja própria no Mercado Livre é
aproveitar o fluxo de internautas que passam por ali todos os dias, afirma Farjallah.
O site tem 77 milhões de visitantes únicos ao mês. “A maioria das marcas também
tem seu e-commerce próprio, mas o marketplace oferece mais conveniência para o
consumidor, por ser uma one stop shop. Muitas vezes o cliente que vê a marca no
nosso marketplace não procuraria a loja virtual dela”, afirma Farjallah. No caso das
lojas de maquiagem e beleza, algumas marcas têm investido em tutoriais e materiais
de apoio para o consumidor consultar dentro da loja no Mercado Livre.
O desafio do Mercado Livre é se tornar referência como “loja de tudo” antes da
concorrência — leia-se, antes da Amazon, a gigante da internet que já é a loja de
tudo nos Estados Unidos há um bom tempo. A companhia de Jeff Bezos chegou ao
Brasil há seis anos vendendo somente livros, mas tem avançado rapidamente sobre
outros segmentos, gerando apreensão para operadores locais. Atualmente, a
Amazon já vende produtos eletrônicos, itens para casa e moda por aqui.
O Mercado Livre teve lucro de 11,9 milhões de dólares de janeiro a março deste
ano, ante prejuízo de 12,9 milhões um ano antes. A receita líquida do trimestre
cresceu 47,6%, para 473,8 milhões de dólares, impulsionada pelo resultado no
Brasil, com expansão de 64%. As receitas do marketplace do grupo aumentaram
79,8%. A retomada no segmento mostra que o Mercado Livre começa a reagir após
medidas tomadas no ano passado, quando passou a cobrar uma taxa fixa de 5 reais
para entrega de itens abaixo de 120 reais e excluiu anúncios de produtos abaixo
de 6 reais.
O Brasil é o principal mercado do argentino Mercado Livre, com 60% das vendas da
companhia, que está presente em 18 países. Portanto, defender esse território do
avanço da Amazon é um movimento crucial. E, para isso, quanto mais marcas se
associarem ao site, melhor. A companhia começou a atuar com parcerias com
grandes marcas em 2014, quinze anos após sua fundação. Hoje tem 970 lojas oficiais
no site, sendo 97 em beleza e saúde. Se na origem o Mercado Livre era focado em
produtos usados, hoje 90% das vendas são de produtos novos.
Além do constante aumento do catálogo, outras frentes de combate para o
Mercado Livre são as políticas de entrega (com frete grátis para todo o país para
compras acima de 120 reais, a depender de especificações técnicas) e os
investimentos em logística. “O mercado Livre está no Brasil há 20 anos, somos
líderes em tráfego e isso não se constrói da noite para o dia”, diz Farjallah. Parado
não dá para ficar.

Fonte: Exame

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