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Nielsen: brasileiros buscam por produtos mais saudáveis

O consumidor passa a adotar uma relação muito mais holística com a saúde e o
meio ambiente, o que vem sendo concretamente refletido nas estratégias e nas
vendas da indústria e do varejo brasileiro. Segundo o mais recente estudo Estilos de
Vida 2019 da Nielsen, o meio ambiente já aparece como uma das 10 principais
preocupações do brasileiro, ficando atrás apenas da violência, serviços públicos,
aumento no custo de vida, educação e economia.

A população do Brasil está mais prática (55% dos entrevistados vai direto à loja para
efetuar a compra), mais conectada (64% tem um smartphone), mais saudável (57%
reduziu o consumo de gordura e 56% diminuiu a ingestão de sal), mais negociadora
(64% escolhe as marcas pelo baixo preço) e mais sustentável (42% está mudando
seus hábitos de consumo para reduzir o impacto no meio ambiente).

O shopper saudável – aquele que declara ir ao médico ao menos uma vez por ano,
ter aumentado o consumo de orgânicos e diminuído a ingestão de sal, açúcar,
gordura e industrializados – já representa 28% da população brasileira (Estilos de
Vida 2018). Os domicílios formados por eles são, em sua maioria, compostos por 3 a
4 indivíduos, sem crianças e pertencentes ao nível socioeconômico (NSE) A e B,
apresentando um maior ticket médio e indo mais vezes aos pontos de vendas. No
entanto, mesmo com maior incidência no NSE mais alto, a busca por um consumo
mais saudável e sustentável vem permeando todas as faixas da população brasileira,
indo além de uma segmentação demográfica, como mostra a edição 2019 do estudo
Estilos de Vida.

A pesquisa aponta que 73% dos consumidores saudáveis afirmam que gastariam
mais com marcas que se preocupam com o meio ambiente, porém, 43% deles
declaram que ainda é difícil encontrar produtos sustentáveis nas lojas. No quesito
saudabilidade, 64% afirmam seguir alguma dieta que limita ou proíbe o consumo de
determinados produtos ou ingredientes: 44% gostariam de ter mais opções de
produtos orgânicos, 26% adotaram uma dieta livre de glúten e 15%, sem lactose.

O consumidor saudável vai, em média, 27 vezes ao ponto de venda, com um ticket
médio de R$ 29, comprando 6 itens por visita. Os canais especializados estão entre
os seus preferidos: 96% declara fazer compras em feiras de rua e 74% em
sacolão/hortifruti, ou seja, 26% acima da média do total de lares brasileiros sem
esse perfil.

“A qualidade e a conveniência são atributos muito valorizados pelo shopper
saudável, 83% afirmam que uma das principais razões para escolha da loja é
encontrar itens de boa qualidade e 64% preferem fazer compras no fim de semana,
principalmente, para ter mais tempo para analisar os ingredientes que os
compõem”, comenta a gerente de Atendimento ao Varejo, Fernanda Vilhena.

Além disso, um grande percentual dos compradores demonstra confiança em
produtos de Marca Própria (71%), além de estar mais conectado, assumindo
pesquisar sobre os produtos e preços em aplicativos antes de ir à loja (60%) e gostar
de interagir com suas marcas preferidas pelas redes sociais (79%).

Movimento da indústria e do varejo
Os produtos saudáveis vêm impulsionando o mercado de FMCG, crescendo 12,7%
em faturamento no último ano, o que representa 5% do total faturado. Dentre
estes, os segmentos sem glúten/sem lactose, fresco/natural/orgânico e
diet/light/zero recebem o maior destaque, somando 61% de importância e
contribuindo com 75% do crescimento na categoria de saudáveis.

Atentos a isto, a indústria e o varejo se movimentam cada vez mais para atender tais
demandas do consumidor. Alimentos e Bebidas têm se focado nos ingredientes –
reduzindo sal, açúcar, gorduras e calorias – e recorrendo a porções menores para os
produtos com atributos opostos à saudabilidade.

Para Higiene e Beleza, além das embalagens refil, os produtos com ingredientes
naturais são destaques deste movimento, crescendo 18%, frente ao incremento
total de 3,5% da cesta (2018 vs. 2017). Os produtos voltados para cuidados do
cabelo são os principais responsáveis (95%) por este resultado. Já no segmento de
Limpeza, embalagens sustentáveis e elementos menos abrasivos têm sido as
alternativas mais recorrentes para atender tais demandas.

“A indústria tem se movimentado no sentido de ampliar seu portfólio por meio da
aquisição de outras marcas, de modo a ingressar em categorias ou nichos com o
apelo saudável e estreitar relação com seus consumidores”, comenta Fernanda.
Também já se observam investimentos em inteligência artificial a fim de criar
produtos personalizados com base na demanda individual de cada consumidor.

O varejo, neste mesmo sentido, também passa a investir na saudabilidade e
sustentabilidade, seja trabalhando a Marca Própria como forma de impulsionar e
democratizar o consumo, seja com o investimento em estratégias digitais para
engajar e personalizar a compra via mobile. Também têm sido observadas ações
contra o desperdício, compras responsáveis, gestão de resíduos e do impacto
ambiental de suas operações.

Tendência vira hábito
Para um terço da população brasileira, sustentabilidade já está entre as 3 principais
preocupações do consumidor e 28% dos lares já adotam medidas saudáveis,
destacando-se com maior frequência de compras e ticket médio mais alto em todos
os canais. Os produtos saudáveis crescem 12,7% e impulsionam o resultado das
categorias que atuam com diferentes drivers de crescimento, como lançamentos,
descontos de preços e pulverização de canais.

Neste sentido, indústria e varejo têm buscado, cada vez mais, diversificar suas
estratégias adquirindo novas marcas, reformulando produtos, lançando novos
formatos de lojas, programas de reciclagem e gestão de suas operações. Desenhar
uma estratégia de sortimento, comunicação e precificação para atingir o shopper
saudável também se configuram como ações vencedoras para fidelizar esses clientes
e garantir melhores resultados.

Fonte: Newtrade

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