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No sofá com seu cliente e sem espaço para relaxar

Pode ser confortável pensar em um cliente que encontra uma loja sentado
no sofá de casa, mas este comportamento só mostra que o consumidor
não quer se expor ao risco da descoberta

Recente pesquisa realizada pela eC Global, empresa global de pesquisas e
insights baseadas em comunidades, coordenada pelo Centro de
Inteligência Padrão, trouxe muitos dados sobre comportamentos e
percepções das Gerações Y e Z. A íntegra estará disponível no site e na
revista Consumidor Moderno nos próximos dias, mas vale a pena destacar
dois dados que impactam diretamente o varejo brasileiro.

Para começar, 94% dos jovens fazem pesquisa na internet
sistematicamente antes de comprar. A compra por impulso é cada vez
uma compra por “impulso direcionado/sugestionado” ou, em outras
palavras, os resultados acerca de produtos, serviços e lojas advindos das
buscas têm um peso enorme no processo de escolha do consumidor
jovem.

Usando a internet como meio de informação antes da escolha, o
consumidor é suscetível a dois vieses: o do algoritmo que elege os
resultados mais “condizentes” com a recorrência (frequência) de buscas
similares e os comentários de influenciadores, parentes e amigos que
referenciam os produtos e serviços.

Infelizmente para o varejo e para as empresas em geral, todo cliente é
muito suscetível a toda sorte de vieses. E normalmente são alegres vítimas
do viés de confirmação. Quando um algoritmo é “treinado” a trazer os
resultados normalmente mais frequentes, supostamente relevantes em
uma busca, isso não quer dizer que um resultado é o mais indicado para
cada pessoa em particular. E quanto mais comentários forem vistos que
estejam de acordo com as crenças e ideias preconcebidas de cada cliente,
mais o cliente vai se predispor a acreditar nesses comentários.

Agora, o segundo dado: 69% dos jovens querem fazer compras sem sair
do sofá. Apenas 31% ainda se predispõem a visitar lojas. De acordo com a
análise do CIP, a “paciência de aguardar vem superando a ansiedade de
tocar um produto”. Isso quer dizer que o espaço da surpresa, da compra
por impulso inexplicável, está se reduzindo dramaticamente.

O cliente jovem escolhe o que quer comprar e se deixa “influenciar” por
comentários na rede e por resultados de busca e quer comprar sem sair
de casa, economizando uma série de esforços: deslocamento, fartura de
opções, poluição visual, preços combinados com ofertas, filas no caixa,
formas de pagamento, pacotes e sacolas… A experiência de compra fica
então localizada em torno do viés de confirmação. Parece que o cliente
escolhe, mas no mundo regido pelos algoritmos, a opção é simplesmente
um exercício permanente e inconsciente de reafirmar as próprias crenças.

Pode parecer confortável para um executivo de varejo pensar que seu
cliente pode decidir por uma loja, um produto ou serviço refestelado em
seu sofá. Mas nesse ambiente, nesse cenário, não há razão alguma para
que um varejista se sinta bem. Isso significa que seu cliente não quer mais
se expor ao risco da descoberta, da compra por impulso, da surpresa.

Ele se rende à falta de motivação e de sentido para visitar lojas e mesmo
para fazer buscas mais intensas e produtivas na internet. A guerra de
ofertas, a famosa “gritaria” do varejo baseada no “quer pagar quanto?”
torna-se a arena em que algoritmos buscam ganhar posições nos
mecanismos de busca e ressaltar comentários que induzam o cliente a
optar pelo que estava inclinado a comprar.

Duas consequências finais para este panorama que se desenha para
desconstruir, em cadências diferentes, mas de modo inescapável o varejo
como o conhecemos:

1. Fazer um cliente visitar uma loja precisará valer a pena, trazer
motivação, entusiasmo e representar uma certeza de entretenimento
gratificante. Caso contrário, o sofá ganha o jogo;
2. Será necessário colocar mentes e esforço brutal em cima dos dados.
Usar as possibilidades do Analytics para desvendar maneiras de contornar
o viés de confirmação para ampliar vendas e reduzir a volatilidade do
cliente será uma competência essencial de qualquer rede varejista
disposta a se manter viva.

Fonte: Portal No Varejo

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