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No supermercado do futuro, autoatendimento é a função mais desejada

O supermercado do futuro, no qual o próprio cliente faz as compras e seu
atendimento no caixa, sem ter que interagir com atendentes nem perder tempo
com filas, é o sonho de consumo da maioria dos brasileiros. O autoatendimento no
supermercado é a principal característica das lojas esperada para os próximos anos
na avaliação de 86% dos consumidores, segundo pesquisa da consultoria Ibope
Inteligência, feita a pedido da Associação Paulista de Supermercados (Apas) para
conhecer as grandes tendências do setor.

Na ordem de importância das principais demandas do consumidor, a pesquisa, que
ouviu mais de 2 mil pessoas, revela que o autoatendimento está à frente até mesmo
da maior oferta de produtos orgânicos (82%), da entrega das compras (82%), de
programas de fidelidade (77%), por exemplo.

Depois dos bancos e da indústria, o setor de supermercados é um dos últimos da
economia real que estão sendo varridos pela revolução digital. E isso tem tirado o
sono dos supermercadistas. Eles se reúnem nesta semana, em São Paulo, no evento
Apas Show, exatamente para discutir a digitalização do setor, conhecer as
tecnologias disponíveis e descobrir como reinventar os pontos de venda, diante das
novas demandas do mercado.

Thiago Berka, economista da Apas, lembra que hoje um dos principais motivos de
insatisfação dos clientes de supermercados é a fila na hora de pagar as compras.
“Eles querem mais rapidez na frente de caixa e a tendência é ampliar o número de
self-checkout (caixas de autoatendimento)”, diz o economista.

Ocorre que a frente de caixa também é um dos departamentos da loja que mais
empregam trabalhadores. Boa parte dos 1,8 milhão de brasileiros empregados nos
supermercados são jovens que conquistaram o primeiro emprego e atuam na frente
de caixa, com um salário médio de R$ 1.200.

E, com o avanço do autoatendimento, a tendência é de redução dos postos de
trabalho nessa função. “O autoatendimento deve avançar e deslocar os
trabalhadores para outras funções dentro do supermercado, isso será inevitável”,
diz Berka, ponderando que os supermercados “precisam de gente”, porém em
menor escala, para acompanhar o autoatendimento dos clientes.

De acordo com o economista, existem atualmente entre 600 e 800 caixas de
autoatendimento em funcionamento no País num universo de 89 mil lojas. Isso
significa que o processo de substituição de pessoas pelo atendimento automático
mal começou.

Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União
Geral dos Trabalhadores (UGT), calcula que nos próximos dez anos 800 mil postos
de trabalho do total de 1,8 milhão de vagas ocupadas no setor poderão ser fechadas
por conta do avanço da automação no varejo.

Ele defende a capacitação dos trabalhadores para enfrentar a revolução digital.
“Capacitar as pessoas hoje é mais importante do que negociar aumento de salários”,
diz Patah. Ele vê esse movimento atual do setor de usar “caixa sem caixa” como uma
ameaça para o emprego nessa função.

A necessidade de capacitação dos trabalhadores, segundo o presidente do sindicato,
ficou nítida nos últimos meses. A entidade realizou um mutirão do emprego para
recolocar os trabalhadores. Das 2 mil vagas oferecidas para a função de operador de
caixa, apenas a metade foi preenchida, mesmo numa situação de desemprego
elevado. O motivo é falta de qualificação dos trabalhadores para desempenhar a
função.

Empresários
Enquanto o consumidor quer mais rapidez no atendimento e, se possível, fazer tudo
sozinho quando vai às compras, os empresários do setor supermercadista querem
se debruçar sobre o cliente e conhecer melhor quem frequenta a sua loja.

Pesquisa realizada pela Apas com 120 executivos do setor revela que 98% dos
supermercadistas querem melhorar a análise das informações do cliente e 97%
aperfeiçoar a operação das lojas existentes e a experiência de compra. Apesar de
abrir loja ser um dos principais objetivos de 70% dos empresários para ganhar fatias
do mercado e ampliar as vendas, curiosamente o porcentual de respostas de
empresários focado em abrir lojas é bem menor comparado com outros objetivos.

Ronaldo dos Santos, presidente da Apas, ressalta que o avanço da tecnologia é uma
das grandes preocupações do setor. “Mas antes de pensar na tecnologia é preciso
pensar na inovação”, diz ele. Na sua avaliação, a tecnologia é o suporte para
inovação que permite aumento da produtividade, vender produtos por preço menor
e atender ao consumidor da forma correta.

Fonte: Estadão

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