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O necessário equilíbrio na atenção a todos os setores da economia

Aqueles que têm dificuldade em pensar de forma mais abrangente, voltam a insistir na ideia de que o caminho da recuperação passa por incentivos à indústria e à infraestrutura, para viabilizar a retomada da economia. Eles têm a miopia histórica de enxergar apenas seus setores de atuação, ao invés de olhar a economia como um todo. A retomada já está caracterizada em alguns setores, da forma cautelosa como se esperava e inicialmente apoiada na recuperação do confiança dos consumidores que tem crescido de forma consistente desde abril deste ano.

Os demais fatores determinantes do comportamento do consumo (emprego, renda e crédito), mostram ainda um comportamento retraído, especialmente o emprego, que, apesar de ter parado de piorar, não mostra perspectivas de recuperação de curto prazo. O crédito continua limitado e muito caro. E o cenário recessivo mantém a renda real mais baixa, contribuindo para que a massa salarial, em termos reais, continue com comportamento negativo.

Estruturalmente temos um mercado consumidor com nível de endividamento das famílias estável e com tendência de declínio por conta do rigor na concessão do crédito, além da natural cautela da população, especialmente por conta da não recuperação do emprego. Pela mesma razão, a inadimplência mantém-se próxima de seus padrões históricos, o que não deixa de ser uma agradável surpresa quando se considera a magnitude da recessão vivida.

Em outra vertente desse raciocínio macro, existe algo enigmático envolvendo crédito, taxas de juros e despesas associadas. E começa pelo fato de que o Brasil tem um dos sistemas financeiros mais avançados do mundo, sem dúvida, inovador, estruturado, consolidado e controlado como poucos. Em muitos aspectos, se tornou uma referência global.

Mas ao mesmo tempo, o endividamento das famílias é um dos mais baixos do mundo, quando tomado como referência o PIB de cada país. No Brasil esse indicador está na faixa de 15%, enquanto que em mercados mais maduros como França, Alemanha, Japão, Coréia do Sul, Estados Unidos e Inglaterra, está acima de 50%.

Será que o preço de um sistema financeiro maduro, controlado e concentrado é um baixo índice de endividamento das famílias, inibindo e desestimulando o consumo, pressionado por taxas de juros e custos financeiros dos mais altos do mundo? Essa equação é desigual e condena a indústria de consumo, o comércio e o varejo a uma limitação estrutural em seu crescimento, o que seguramente não é bom para a renda e o emprego.

O setor de comércio e varejo se transformou nos últimos anos no maior empregador privado do país, por conta da forte expansão do consumo que tem ainda elevado potencial de crescimento e que não deveria ser inibido, pois a natureza da atividade desses setores gera emprego direto, enquanto a mão de obra em alguns outros setores vem sendo substituída pela tecnologia mais barata, controlável e, no Brasil, gerando menos passivos e contingências.

Estamos num cenário onde não podemos e não devemos optar por investimento, crédito e atenção, para um ou outro setor. É falsa a idéia de que se deveria incentivar um setor ou outro. Todos deveriam merecer atenção de forma equilibrada e ponderada por sua capacidade de gerar emprego e renda.

Não pode haver esse falso dilema já levantado por nós anteriormente. É um equívoco esse raciocínio unilateral. A recuperação plena se fará com a retomada do emprego a partir do investimento empresarial, estimulado pela confiança e pela disponibilização e barateamento do crédito.

As peças estão colocadas no tabuleiro e o movimento estudado e cauteloso deve ser feito para antecipar essa tendência. Algumas conquistas institucionais têm sido vitais para recuperar a credibilidade e atenção do mercado internacional, sinalizando a perspectiva futura mais positiva.

As famílias estão menos endividadas, a inadimplência controlada, o consumidor mais confiante, porém, o mercado tem reagido de forma muito cautelosa por conta do tamanho do trauma vivido. Cabe aos governantes levarem adiante as propostas colocadas no discurso ‘Ponte para o Futuro’, sem transigir com as pressões que surgirão, especialmente aquelas ligadas às necessárias e inadiáveis revisões que deverão ocorrer nas áreas trabalhista, previdenciária, fiscal e política.

O avanço nessas revisões pavimentará o caminho da retomada e consolidarão o retorno ao futuro. Nesse cenário em transição, não podemos cometer o equívoco de privilegiar setores produtivos, sejam quais forem. Seria repetir o equívoco cometido muito recentemente. Se é para cometer erros, vamos buscar cometer novos erros. Não os velhos e conhecidos.

* Marcos Gouvêa de Souza é diretor-geral da GS&MD

Fonte: Portal Gouvêa de Souza

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