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Os dois tipos de lojas que devem sobreviver à revolução do varejo

A ascensão do comércio eletrônico é inevitável, mas dois tipos de lojas físicas ainda têm futuro, diz Matt Fassler, líder da unidade de consumo americana do Goldman Sachs, em um podcast recente do banco.

Por um lado, há os grandes centros de distribuição geralmente afastados das grandes cidades e com foco total em custo mínimo e eficiência máxima, com zero cuidado estético e poucos clientes espontâneos.

Por outro, há os showrooms destinados a exibir produtos de forma atrativa em localidades centrais e que dependem totalmente dos consumidores casuais que passam pela área.

O conselho de Matt é escolher um ou outro, já que os modelos com ambos serão difíceis de monetizar. No momento, muitas empresas estão tentando ser tão eficientes quanto a Amazon na distribuição, mas usam como base lojas normais localizadas em áreas com o metro quadrado muito caro.

Mas a Amazon levantou tanto dinheiro e tolerou tantas perdas no começo da sua operação que ganhou uma vantagem competitiva que funciona na prática, segundo ele, como uma barreira à competição.

Além disso, o comércio eletrônico conta com vantagens intrínsecas: a loja online já sabe de antemão seu nome, seu histórico de compras, o que você clicou e em qual ordem, enquanto uma loja normal não tem como saber de nada disso.

Essa brecha pode diminuir com a evolução da inteligência artificial e a internet das coisas, com sensores que captem quem está na loja e rastreadores que registrem a resposta facial aos bens de consumo.
Em uma loja experimental da Amazon em Seattle, atualmente aberta só para funcionários, você nem precisa passar por um scanner e só de sair da loja, ela já sabe e computa o que você comprou.

A loja do futuro precisaria de funcionários mais capazes de interpretar dados (e que ter
iam de ser melhor pagos), mas seria mais eficiente em mexer com suas vontades e fazer você comprar. A dúvida é até que ponto os varejistas transformarão esse ideal em realidade.

O fechamento de lojas nos Estados Unidos nunca foi tão acelerado e 20% a 25% dos grandes shopping centers do país devem fechar em 5 anos, de acordo com um relatório recente do banco Credit Suisse.

Mas shoppings são mais desafiadores por causa da interdependência entre seus elementos: o fim de uma loja âncora, por exemplo, afunda todo mundo e um shopping com muitos vazios se torna disfuncional.

Kathy Elsesser, co-diretora de varejo e consumo global da banca de investimentos do Goldman Sachs, nota em outro podcast do banco que “os melhores shoppings continuam a ter uma boa performance, e os que não estão tão bem vão evoluir”. A tendência é de alugueis em queda e “de-gentrificação”, além de foco no acesso (ao invés da posse) e na experiência como um todo (ao invés do produto isoladamente).

“Investir num negócio em declínio é uma tarefa dura”, diz Matt, “mas os vencedores vão fazer isso porque a melhor forma de manter uma loja física é investindo na loja física”. Afinal, esse varejo de “tijolo e cimento”, como diz a expressão americana, ainda responde por 85% do valor movimentado.

Mesmo se o comércio eletrônico seguir crescendo 15% por ano nos próximos 5 anos, a parcela das lojas reais ainda será de 70%. “O negócio pode estar ficando menor no agregado, mas é certamente grande o suficiente para importar e assim será por um longo período”, diz Matt.

 

Fonte: Portal Newtrade

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