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Os Ecossistemas de Negócios brasileiros crescem e aparecem

Os Ecossistemas de Negócios, como conceito de organização, foram criados e se desenvolveram na China e representam o motor empresarial por trás da forte expansão da maior economia do mundo no critério PPP – Paridade do Poder de Compra. Ecossistemas como os decantados Alibaba, Tencent, JD, Huawei, Didi, Xiaomi e outros, que muitas vezes se integram entre si, são estudados e vistos como a resposta chinesa à expansão das Plataformas Exponenciais, como Amazon, Google e as demais na economia ocidental.

Nos Ecossistemas de Negócios, de forma similar às Plataformas Exponenciais, a conexão direta e permanente com o consumidor, de forma predominante por canais digitais, mas também físicos, cria a vantagem competitiva fundamental que permite expandir negócios de forma acelerada. O conhecimento e a conexão com esses consumidores se tornam ativos estratégicos fundamentais que potencializam o crescimento.

Talvez a mais relevante diferença, dentre as muitas, é que os Ecossistemas de Negócios se tornaram globalmente relevantes pela vertente dos pagamentos digitais, que permite que possam ser monitorados os pagamentos feitos por clusters, segmentos e mesmo grupos de consumidores, e o próprio consumidor, viabilizando o conhecimento sobre quem compra o que, onde, quando e como paga. E tudo isso pode ser usado de forma preditiva para antecipar movimentos de mercado e se posicionar, com negócios atuais ou futuros.

Esse importante diferencial estratégico – o conhecimento estruturado atual e preditivo e mais a conexão direta – se torna ainda mais relevante à medida que cresce sua base pela incorporação de novos negócios, criando uma espiral de expansão que pode se beneficiar desse conhecimento. E a mola propulsora da expansão passa a ser, além dos investimentos financeiros que ficam mais acessíveis, esse conhecimento que alimenta e é alimentado pela própria informação que vai se acumulando.

Essa dinâmica explica, em parte, o impressionante crescimento dos Ecossistemas de Negócios na China e depois se espalhando pelo mundo, com naturais limitações nos Estados Unidos. E explica também o apetite que Magalu, Americanas-B2W, Via Varejo, Grupo Pão de Açúcar, Carrefour, Rappi, iFood e Uber têm demonstrado, acelerando sua expansão pelo crescimento de seus negócios atuais e incorporando novos negócios em seu portfólio.

Todos buscando um Ecossistema de Negócios protagonista e dominante para chamar de seu, inspirados por Alibaba, Amazon, Tencent e demais. Isso cria um novo axioma que poderia ser traduzido como: cresce quando fica maior e fica maior quando cresce ainda mais. Como consequência, os múltiplos e valor de mercado atuais dessas empresas representam muito bem o entendimento desse proposto axioma. E a iminência do lançamento da plataforma Pix só faz acelerar essa corrida e, é preciso reconhecer, o impacto das mudanças que ele precipita ainda não estão totalmente precificados

A visão dessas empresas e de muitas mais, especialmente no mundo financeiro, é que estamos vivendo uma nova corrida do ouro no mundo digital, e é importante ser rápido e certeiro para incorporar negócios, competências, recursos e frentes que alimentem as bases de dados e o potencial de conhecimento e relacionamento com os consumidores, especialmente aqueles que sejam continuamente utilizados, como tudo o que envolve principalmente alimentação e transporte.

A pandemia acelerou o processo para quem não tinha opção

Interessante notar que, no período recente marcado pela pandemia, foram as empresas e negócios que não tinham opção, por não serem considerados essenciais, que mais aceleraram e se reposicionaram, como Magalu e Via Varejo, e colhem agora os benefícios do recente rali. No início da pandemia, as grandes redes de hiper, supers e conveniência, que já tinham grandes bases de clientes, se desdobraram para cumprir protocolos para manterem suas operações abertas e assegurarem abastecimento e serviços à população. As plataformas de entregas tinham de se ajustar para o abrupto pico de crescimento de demanda.

E as operações que tinham no digital seu único canal para manutenção de seu negócio não tiveram opção a não ser acelerar de forma vertiginosa sua jornada digital, e embalaram saltando à frente do mercado, incorporando novos negócios, expandindo marketplaces. Com a abertura gradual do varejo e o retorno da normalidade futura, foram beneficiadas, por seus próprios méritos, por seu novo e futuro posicionamento e potencial de contínuo crescimento.

Para concluir

Estamos e estaremos vivendo a consolidação dos Ecossistemas de Negócios made in Brazil, redefinindo lideranças e protagonismos, integrando operações e reconfigurando o mercado futuro, numa combinação virtuosa local, mesclando conceitos oriundos da China com melhores práticas e propostas vindas dos Estados Unidos e da Europa, e temperados pela plataforma do lançamento do Pix, que vai transformar de forma dramática e estrutural o ambiente de negócios. É bom reavaliar estrategicamente tudo. Nada será, definitivamente, como antes.

* Por Marcos Gouvêa de Souza, diretor geral e fundador da Gouvêa Ecosystem.

 

Fonte: Mercado & Consumo

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