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Para alguns varejistas, quanto mais home office, melhor!

Com a pandemia e os brasileiros dentro de casa, alguns segmentos foram muito beneficiados e tiveram seu “boom” de vendas justamente durante este período de reclusão social. Que o e-commerce, o streaming, os videogames, as vendas de medicamentos e de itens de supermercados e o delivery de comida explodiram no ano passado todos já sabem – e isso foi amplamente divulgado. Mas o fato de as famílias brasileiras ficarem reclusas também acabou incorporando novos hábitos e impulsionando o mercado de alguns produtos e serviços, beneficiando determinados varejistas.

Afinal, ficar em casa, sem poder seguir a rotina habitual, não tem sido tarefa fácil, causando nas pessoas sintomas de estresse, ansiedade e depressão. Uma forma de lidar com esses impactos tem sido realizar atividades que causem relaxamento e ajudem a mente a descansar. 

Um dos mais beneficiados foi o mercado de vinhos, que apresentou alta recorde de 31% em 2020. Ao todo, foram 501,1 milhões de litros comercializados no ano passado, contra 383,9 milhões de litros em 2019. O ano da pandemia entra para a História como aquele no qual mais se consumiu a bebida no País.

Para se ter uma ideia, diariamente se vende, em diferentes canais de vendas, cerca de 2 milhões de garrafas, entre brancos, tintos, rosés e espumantes. A maior rede de lojas físicas especializada em vinhos, a Grand Cru, conta com 92 unidades atualmente e abriu 15 novas lojas em 2020. O plano é agressivo para 2021: abrir entre 35 e 40 novos pontos de venda, todos franqueados.

Nesta linha, com mais tempo em casa, a busca por floricultura como hobby também aumentou. Criar um “cantinho verde” em casa nunca foi tão desejado. A pandemia aumentou a preocupação em relação à biofilia (harmonização das plantas com os espaços).

Cultivar plantas no home office contribui para a redução do nível de estresse e para o aumento do nível de concentração, além de provocar um bem-estar emocional e de melhorar a qualidade do ar e de trazer mais energia ao ambiente. Sem contar que torna os espaços mais aconchegantes. A venda de plantas ornamentais e flores subiu 20% em 2020, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) e o setor espera um crescimento de 5% para 2021. Com a adesão cada vez maior de empresas ao home office permanente, este número tem tudo para ser ainda maior.

Nesta mesma direção, outro mercado beneficiado é o pet, que cresceu 13,5% em 2020, com faturamento registrado de R$ 40,1 bilhões. A previsão antes da pandemia era de alta de 6,25%. Chama atenção um levantamento feito pela plataforma Guiabolso mostrando que os brasileiros gastaram quase 10% mais com essa categoria na comparação com 2019. Ter um pet em casa ajuda a preservar a saúde mental e a reduzir o sentimento de solidão. Também deixa a casa mais alegre e, assim, ajuda as pessoas a lidarem melhor com o isolamento social.

Uma característica que chama atenção é que os brasileiros que incorporaram ao menos um animal em casa fazem parte da classe média alta, que é o perfil de quem conseguiu fazer isolamento. Em contraponto, nas classes mais baixas observou-se muito abandono de animais. As duas maiores varejistas do setor, Petz e Cobasi, disputam acirradamente a liderança deste mercado. A Cobasi conta com um total de 100 lojas em dez Estados, cinco delas inauguradas em 2020. O faturamento em 2019 foi de R$ 1,3 bilhão e no ano passado cresceu 17%. Já a Petz, que é a maior em número de lojas, com 106 unidades em 13 Estados, viu seu lucro mais do que dobrar em 2020 em comparação com o ano anterior. Correndo por fora, a rede de franquias norte-americana Petland também tem apresentado números vistosos: presente em 17 Estados com 100 lojas e um faturamento que cresce 2 dígitos todos os anos: registrou R$ 140 milhões em 2020, com aumento de 30% nas vendas. Todas elas prometem abrir novas lojas ao longo deste ano.

Para finalizar, o segmento de produtos para o lar, móveis e decoração também apresentou crescimento expressivo. O confinamento e o home office fizeram as pessoas terem um novo olhar para o local onde moram – o seu lar. As pessoas subitamente passaram a notar que itens da sua casa estavam envelhecidos, quebrados ou simplesmente que não tinham alguns mimos domésticos. Durante este período, descobriram-se novas necessidades, cômodos subaproveitados e ambientes que careciam de mais conforto. Isto desencadeou uma nova frente de necessidades latentes até então, o que motivou a decisão pela realização de pequenas reformas no interior das suas casas e apartamentos.

Os números de alguns segmentos voltados para o lar corroboram com esta tese. Segundo pesquisa realizada pela Abcasa, em 2020, 21% construíram ou reformaram algum cômodo na sua residência e 41% dos pesquisados disseram que investiram em ao menos algum artigo para decoração. Destes, 44% dos consumidores disseram que compraram algum item de utilidades domésticas, outros 37% disseram que compraram produtos de cama, mesa e banho, enquanto 19% adquiriram artigos decorativos para o lar. No geral, 57% compraram algum artigo para casa no ano passado.

Duas gigantes do varejo de moda têm aumentado investimentos no segmento “casa”: a Riachuelo, por meio da Casa Riachuelo, e a Renner, com as lojas da Camicado. Após um reposicionamento da marca em 2019, a Casa Riachuelo fortaleceu sua identidade e hoje está presente em 310 lojas pelo País, com store in store nos seus magazines e também por meio de lojas independentes. Em 2020, a empresa inaugurou cinco novas unidades e a expectativa é da abertura de oito em 2021. Já a Camicado tem um plano de abertura de cinco a dez novas lojas.

Os exemplos acima mostram que, na contramão de diversos setores que sofreram com a pandemia do coronavírus, alguns foram amplamente beneficiados. São produtos que podem manter o fôlego de crescimento por terem sido incorporados nos novos hábitos de consumo dos brasileiros. Num momento que se fala em crise do varejo, nem todos podem reclamar. Pelo contrário.

* Por Marcos Hirai, CEO da Omnibox, startup especializada em Varejo Autônomo.

 

Fonte: Mercado & Consumo

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