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Parceria com varejista pode tirar postos BR das mãos da Petrobras

A BR Distribuidora, estatal dona da rede de postos BR, está à procura de parceiros
para expandir seu negócio de lojas de conveniência, segundo o comunicado da
empresa divulgado nesta semana. Uma polêmica circunda o interesse da empresa: a
forma sobre a qual deve ser firmada a parceria. Segundo o jornal Valor Econômico,
há empresas interessadas em assumir a operação de postos, além das lojas de
conveniência.

Há mais de três anos, a BR Distribuidora havia mostrado interesse em operação
semelhante, mas as três ofertas que chegaram não foram levadas adiante. Mais
tarde, para tornar a ideia mais atrativa ao mercado, a Petrobras, dona da empresa,
teria mudado o modelo de venda e estaria pronta a abrir mão do controle da
subsidiária. A ideia contempla vender 51% do seu capital volante, o que tiraria o
poder de decisão das mãos da estatal. O plano havia sido suspenso pelo então
presidente da Petrobras, Pedro Parente, mas pode ser retomado pelo atual, Roberto
Castello Branco.

Uma fonte de uma das empresas interessadas na parceria ouvida pelo Valor afirma
que “há quem queira ficar com toda a rede de lojas e também gerenciar o posto, e
há quem aceite uma parceria só com o negócio da loja”. A BR Distribuidora é hoje a
segunda maior empresa do País, perdendo apenas para sua controladora, a
Petrobras.

O banco BR Partners foi contratado pela estatal para procurar parceiros. GPA, Lojas
Americanas, IMC (dona do Frango Assado e do Viena), Carrefour, 7Eleven, Oxxo e
Advent (dona do Walmart no Brasil) estariam interessados na parceria.

Resultados da BR

A Petrobras tem mais de 8 mil postos de combustível em operação, mas apenas
1.231 lojas de conveniência franqueadas, a BR Mania. A principal concorrente da
estatal, a rede Ipiranga, tem os mesmos 8 mil postos, mas quase o dobro de lojas
AM/PM, somando 2,5 mil lojas de conveniência.

A parceria com a iniciativa privada pode arrastar todo o braço de varejo de
combustível da Petrobras junto com as lojas de conveniência se a ideia de vender
51% do capital volante for aprovada e se a proposta de casar a parceria nas lojas
com o controle dos postos seguir adiante.

No terceiro trimestre de 2018, último resultado divulgado, a BR Distribuidora
registrou lucro líquido de R$ 684 milhões, um crescimento de 174% em relação ao
mesmo período do ano anterior. Levando em conta apenas a rede de postos, a
receita líquida bateu 42 milhões em setembro de 2018, crescimento de 16% na
comparação com o mesmo mês de 2017.

O Carrefour, considerado o maior varejista a atuar no País, fechou o terceiro
trimestre do ano passado com um lucro de R$ 391 milhões para o período. O GPA,
segundo maior, teve lucro líquido de R$ 215 milhões. O lucro dos dois maiores
varejistas do País não atinge a soma da BR Distribuidora.

Desestatização

Em novembro, depois do fim da eleição, o vice-presidente eleito, general Hamilton
Mourão, disse que a Petrobras não faria parte do plano de desestatização do novo
governo, mas assumiu a intenção de vender a controladora dos postos. “O futuro
governo estuda a possibilidade de privatizar a BR Distribuidora. Considero a
Petrobras empresa patrimônio do Brasil”, disse, à época, depois de uma
teleconferência com investidores nos Estados Unidos.

O governo de Jair Bolsonaro também trabalha com a possibilidade de uma espécie
de privatização de fora para dentro de outras empresas nacionais. Em janeiro, o
secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do governo, Salim Mattar,
dono da Localiza (empresa de aluguel de carros), disse que pretende deixar sob
posse do governo apenas Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Petrobras.

Mesmo essas devem passar por um processo de enxugamento. “Elas deverão
permanecer bem magrinhas. Vamos vender todas as subsidiárias delas”, afirmou o
secretário. A ideia é se livrar, ao longo dos 4 anos de governo, dos ativos dessas
empresas. A venda da BR Distribuidora para a iniciativa privada seria uma das ações
nesse sentido.

Fonte: Portal No Varejo

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