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Produtos de baixo valor agregado são trunfo para o varejo nacional ficar de pé

Com ritmo de crescimento aquém do esperado para 2019, o varejo se sustenta por meio do
consumo de itens de necessidade básica de menor valor agregado. Entre os segmentos que
aproveitam esse movimento, estão as redes de supermercado e drogarias.

“O crescimento de 0,1% em junho em relação a maio mostra que o semestre foi muito difícil para
o varejo. A alta expectativa que se criou no final do ano passado vem caindo gradualmente e os
itens de necessidade básica, que não são substituíveis tão facilmente, costumam ter mais
resistência a crise”, afirmou o coordenador da Sondagem do Comércio do Instituto Brasileiro de
Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Rodolpho Tobler.

De acordo com o especialista, mesmo que as taxas de desocupação caiam lentamente, os 12,8
milhões de desempregados ainda ilustram uma tendência para o consumo em segmentos de
necessidade básica, como por exemplo alimentos e remédios. “Nos próximos meses, a tendência é
que esses setores passem a investir mais em contratação e expansão das operações até por conta
da redução das incertezas sobre o campo político e das reformas em andamento no Congresso”,
argumentou Tobler.

Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE e divulgada ontem, em junho de 2019 ante o mesmo período do ano passado, o
setor do varejo registrou queda de 0,3%. No acumulado do ano, o avanço foi de 0,6%.

No levantamento, o segmento de supermercados e hipermercados foi um dos poucos que ficou no
“azul”, registrando estabilidade entre junho e maio; no acumulado do ano, houve alta de 0,7%. Já
o mercado de farmácias se mostra mais resiliente, com alta de 0,3% na margem; e 5% de evolução
nas vendas entre junho e igual período de 2018.

Um dos exemplos de redes de farmácias que apresentou ritmo de expansão no número de
unidades durante o período de recessão e mantém posicionamento é a RaiaDrogasil – que
terminou o segundo trimestre de 2019 com 1,9 mil operações no Brasil. “Podemos colocar como
destaque o ritmo de crescimento e amadurecimento de nossas unidades nos últimos anos. Além
disso, é importante ressaltar a estratégia que adotamos na política de preços dos genéricos”,
afirmou o diretor de planejamento do grupo, Eugênio de Zagottis, em teleconferência realizada
ontem (07) ao mercado.

De acordo com o executivo, a estratégia está voltada para a composição de um mix de produtos
genéricos que tem o potencial de atingir a liderança nas vendas em algum momento – sobretudo
em estados brasileiros, onde a rede está ampliando a atuação. “Sempre buscaremos a criação de
valor no longo prazo, sobretudo diante da dificuldade de expansão regional nesses mercados”,
afirmou ele. Segundo o balanço da companhia, houve salto de 5,8% para 7,9% em termos de
marketshare na Região Nordeste. Já no Norte do País, a fatia de mercado da RaiaDrogasil saiu de
0,4%, no segundo trimestre de 2018, para 3% no mesmo período deste ano, com destaque para o
estado do Pará, onde existem 28 lojas.

Na mesma base de comparação, o volume de vendas de genéricos cresceu 18% no negócio, com
ganho de margem de 0,2 ponto percentual no total comercializado. “Essa categoria deve ser uma
das principais nos próximos semestre.”

Fonte: Newtrade

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