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Quais inovações se solidificam no mercado em um cenário pós-pandemia?

Assim como os movimentos das placas tectônicas causam muitas mudanças que depois se sedimentam, algumas transformações causadas pela Covid-19 também irão se sedimentar. Estamos nos adaptando à nova realidade. A questão é: o que será sedimentado?

No varejo, por exemplo, houve uma urgência quanto a um novo balanceamento dos estoques. Produtos que vendiam pouco passaram a vender muito e alguns que vendiam bastante, passaram a vender menos.

Quais produtos permanecerão na cesta dos mais vendidos? Quais movimentos precisarão ser realizados para melhorar o nível de ruptura do consumo de sortimentos em loja?

E quanto às marcas?

Marcas próprias tomaram outra proporção. Tiveram a oportunidade de serem experimentadas, testadas e aprovadas. Será que muda a maneira do consumidor enxergá-las definitivamente? O que vem de carona com essa variante? Certamente novas percepções.

De acordo com meu ponto de vista, elencaria o que se sedimentou da seguinte forma:

– em primeiro lugar o e-commerce. As vendas globais seguem em alta, com aumento constante no volume das vendas. Portanto, ele deixa definitivamente de ser visto como uma inovação e passa a ser uma ferramenta indispensável no dia a dia das pessoas e empresas;

– o uso de big data, que aumenta a eficiência nas escolhas e aprimora investimentos, elevando assim a assertividade, que é fator crítico de sucesso, sendo a tecnologia a sua maior aliada;

– a escolha por uma gestão ágil. Afinal, não há como enfrentar um mundo com tantas vulnerabilidades, complexidades e incertezas sem uma boa gestão. Um modelo que escuta seus stakeholders, investe no desenvolvimento e capacitação constante dos seus colaboradores. E, claro, que entende a relevância da estratégia aliada à inovação, fazendo-se necessário o casamento entre a experiência e a modernidade;

– e a importância de todas as áreas de uma empresa passarem a ser vistas como parte estratégica do negócio. Surge por exemplo um novo olhar para os processos de apoio.

Com o “novo normal”, áreas de apoio como tecnologia da informação e facilities tornaram-se ainda mais essenciais. Elas protagonizam a saúde da empresa não apenas pela exigência da tecnologia e inovação, mas principalmente pela preservação da segurança física e da informação. Geram, portanto, uma inversão na cadeia de valor, o que fatalmente acarreta uma mudança nas priorizações dos processos.

Atualmente faz-se necessário para a maioria das empresas realocar recursos, reduzir custos desnecessários e aumentar investimentos em tecnologia. Mas, como descobrir onde podem existir sobras, sem conhecer e entender os processos?

Uma das exigências dos nossos dias é o total conhecimento dos processos e a constante visita às estratégias, uma vez que processos não alinhados com as estratégias se tornam ineficazes. É preciso ter um posicionamento para ter um direcionamento. Por isso é imprescindível que os processos sejam linkados com os objetivos estratégicos e a visão da empresa.

Ressalto ainda o home office, o último dessa lista do que se sedimentou, mas em nada menos importante. Isso porque o capital humano é o maior ativo de toda organização.

O home office trouxe a possibilidade da realocação de recursos antes investidos em edificações e mobiliários. Também trouxe maior eficiência na gestão do tempo e a amplificação das disponibilidades de contratação. Afinal, a proximidade com o trabalho passa a ser muito mais a proximidade com os propósitos da empresa e a tecnologia do que a proximidade física.

Os ganhos são muitos e, como em todos os novos tempos, as adaptações também. É importante lembrar que com passar dos dias a realidade nova se segmenta. Mas, como praticamente nada na vida é estático, é preciso sempre estar atento e o mais preparado possível para as próximas transformações.

A falta de flexibilidade nos leva ao risco de ficarmos como a ponte de Choluteca, em Honduras. Um projeto sólido e muito resistente, mas que hoje não exerce função alguma, por se tratar de uma ponte que liga o nada à coisa alguma e nem sequer está sobre as águas.

* por Cristiana Aguiar – Economista, consultora e Conselheira do Conselho Empresarial de Governança e Compliance da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ)

 

Fonte: Portal E-commerce Brasil

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