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Quer crescer e é regional? Abra o capital

A paranaense CSD  (Companhia Sulamericana de Distribuição) é uma das duas redes regionais do setor que registraram seu pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em agosto na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Com receita bruta anual superior a R$ 2,5 bilhões, a empresa – dona das bandeiras Cidade Canção, Amigão e Stock Atacadista – foi seguida pelo Grupo Mateus (MA). A varejista nordestina informou um faturamento de R$ 5,1 bilhões no primeiro semestre de 2020, com avanço de 27% sobre igual período do ano anterior. O Ebitda foi de R$ 478 milhões e o lucro líquido, de R$ 297 milhões.

O que essas empresas mostram aos demais varejistas é um novo caminho para financiar seu crescimento. Mais barata que os recursos obtidos em bancos, até pouco tempo atrás, a abertura de capital era vista como viável apenas para empresas muito grandes. Mas, hoje, já é acessível a negócios que faturam bem menos. Aliás, os atributos que tornam uma empresa interessante para os investidores vão muito além do seu perfil financeiro. É o que explicou Shinji Kunii, sócio da XP e responsável pelo varejo no IB durante o Webinar Series #12 , realizado por SA Varejo no início de julho.

Tem tamanho para abrir o capital?

Não existe uma receita ou um perfil específico. Mas uma coisa é certa, diz Kunii: as redes regionais do varejo são elegíveis para acessar o mercado de capitais. Para se ter uma ideia, neste ano, a XP fez o menor IPO da história, o de uma empresa do segmento de óleo e gás, com um Ebitda em torno de R$ 40 a 50 milhões. Seu objetivo com o dinheiro arrecadado era o de investir na expansão tecnológica. “Nossa missão é democratizar e dar acesso às empresas a esse mercado. Antes, para abrir capital, era necessário ter um investidor estrangeiro ou uma gestora de grande porte. Hoje, isso mudou”, enfatizou o sócio da XP. Kunii dá outro exemplo: o da Vivara, varejista de joias, que conseguiu atrair muitas pessoas físicas interessadas em adquirir ações da empresa, somando algo em torno de R$ 4 bilhões de captação nesse grupo de acionistas. “Ou seja, a empresa pode ser atraente por motivos diferentes. É caso a caso. Pode acontecer de o lucro operacional ser menor, mas a companhia ter uma avenida longa de crescimento, um posicionamento claro e uma boa governança estabelecida”, exemplifica.

Importante para atrair investidores

Entender muito bem o seu core business e ter um posicionamento claro. Saber para onde serão destinados os recursos captados: digitalização da empresa, expansão, criação de novos formatos, desenvolvimento de um ecossistema, etc. “Se for, por exemplo, apenas para um acionista vender sua parte na empresa, não haverá uma boa aceitação do mercado”, explica Kunii.

Outro ponto é ter um planejamento estratégico bem delineado. “O investidor olha o futuro. É verdade que 2020 tem um cenário de estresse, que é a pandemia, e, por isso, quem está investindo tende a ser mais permissível com os resultados. Em contrapartida, deverá ser mais exigente quanto a aspectos qualitativos. Ou seja, se a empresa que está abrindo capital vai conseguir atrair novos clientes, se tem um CRM para entender o consumidor e ser mais preciso nas ações, se consegue reter as pessoas que frequentam suas lojas”, ressalta o sócio da XP.

Também é importante, no caso de empresas familiares – como é comum no varejo alimentar –, que todos estejam em concordância com a visão de crescimento definida. Há ainda aspectos considerados de “elegibilidade”, ou seja, condições necessárias, como governança, três anos de auditoria completos e outros pontos que visam conferir confiabilidade aos números da companhia.

 

Fonte: S.A. Varejo

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