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Tecnologia, uma aliada do varejo

De um lado, há um cliente querendo comprar; de outro, um varejista querendo vender. Equação simples de ser resolvida, certo? Afinal, uma loja bem abastecida, apoiada em ações de marketing e vendas, atrai os dois elos interessados. Na prática, porém, há vários fatores que tornam o ato de comprar e vender mais complexo, a começar pelas perdas, que podem ocorrer em qualquer área da loja, desde o depósito até o momento em que o consumidor pega o produto. Também podem decorrer de erros nos processos do dia a dia da loja – tais como quebras, produtos vencidos ou deteriorados, ou, ainda, furtos e falhas operacionais.

O fato é que o índice de perdas no varejo vem crescendo. Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), na média, o varejo perdeu 1,38% do faturamento líquido de R$ 1,55 trilhão do varejo restrito, registrado, em 2018, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Com base no cenário retratado pelo estudo, estima-se perda projetada para todo o varejo de R$ 21,46 bilhões”, explica o presidente da associação, Carlos Eduardo Santos. “Em 2017, apontou média menor, de 1,29%, houve um aumento de 7% de um ano para outro. No autosserviço, a média chegou a 2,05% em perdas, valor acima da média nacional”, diz.

Os motivos são os mais variados, incluindo quebras operacionais (36%), furtos externos (20%) e erros de inventário (13%). Entre os problemas que integram as quebras estão produtos vencidos (24%), deterioração/perecibilidade (18%) e itens danificados por funcionários (12%).

A pesquisa trouxe uma outra informação relevante: houve crescimento na adoção de tecnologias ou a contratação de terceiros para prevenir perdas. “A aplicação de tecnologias disruptivas beneficia diferentes áreas do varejo, as quais devem trabalhar em conjunto. Cabe à Prevenção de Perdas incentivar e impulsionar a adoção dessas inovações”, explica o diretor executivo de Performance Improvement/Advisory da EY, parceira da Abrappe no relatório, Fernando Gambôa.

De acordo com o diretor da Abrappe, Lenivaldo Barros, as soluções e, principalmente, os profissionais de prevenção de perdas não podem canalizar toda energia em pessoas que adentram no estabelecimento com a suposta intenção de praticar furto. “As ações devem estar voltadas para o resultado obtido entre a equação das vendas x perdas. As perdas não estão apenas nos furtos, existem vários fatores que provocam danos: um exemplo é a perda de produtividade vista em praticamente todos os negócios e que tem impacto significativo”, alerta.

“Por outro lado, não se pode perder de vista que a prática delituosa também se reinventa e age conforme as ações ou inovações aplicadas ao negócio. Ou seja, enquanto se implantam soluções que garantem melhor retorno preventivo, sempre vai existir alguém buscando brechas para burlar e obter vantagens”, explica. O grande perigo são os dados privilegiados que saem e as enormes dificuldades de monitoramento, acredita o executivo.

“A tecnologia é a chave para escalar, exponencialmente, resultados, ao mesmo tempo em que se reduz os custos”, argumenta o presidente do Grupo Nexxera, Edson Silva. “A automatização de processos e, principalmente, a integração de informações, tem possibilitado maior agilidade, controle e ganho de produtividade. Supermercados que investiram em autosserviço já reconhecem esses benefícios”, explica. O executivo acredita que há grande oportunidade de o varejo potencializar resultados, se utilizar a tecnologia direcionada ao elo da cadeia de valor: clientes, fornecedores e parceiros financeiros. “Investir em uma plataforma, que organiza o fluxo de caixa para melhor equilíbrio entre contas a receber e a pagar, desde o pedido à venda, fortalecendo, ainda, a relação com fornecedores, tem trazido bons resultados”, pontua.

Gerindo “detalhes”

Nos Estados Unidos há uma frase conhecida pelos varejistas que diz: retail is detail ou, em português, varejo é detalhe. De fato, a expressão é aplicável, especialmente quando falamos em perdas. Um supermercado opera com dezenas de seções, negócios diferenciados (mercearia, açougue, hortifrúti, padaria etc.) reunidos sob um mesmo teto. Nessas seções, precisam ser geridas centenas de categorias, milhares de itens e de clientes atendidos diariamente.

É primordial cuidar dos detalhes que compõem todo esse universo para que a operação seja lucrativa. A prevenção de perdas passa pela definição de processos, pela capacitação de pessoas e pela aplicação de tecnologia que torna a operação mais segura e ágil. Entre os sistemas mais utilizados estão os que coletam dados para melhorar o controle de entrada e saída de mercadorias.

Há, na atualidade, múltiplas tecnologias já aplicáveis e que seguem evoluindo. É o caso dos sistemas de gestão empresarial (ERP) e dos sistemas de gestão de depósitos (WMS), que otimizam a operação, reduzindo o número de movimentações e de pessoas envolvidas nos processos logísticos. Além dos sistemas de autoatendimento, como o self-checkout ou o self-scanning.

“Os últimos avanços vêm sendo feitos nos sistemas de gestão de fidelidade (loyalty), nos quais são mapeados os comportamentos de compra de cada cliente, possibilitando fazer recomendações de ofertas mais eficazes”, pontua o diretor comercial da Consinco, Silvio Sousa. Um de seus clientes é a rede Savegnago, que utiliza soluções de controle de rotinas de abastecimento para gerir os estoques das lojas. Na rede Pague Menos, a tecnologia da Consinco é usada para otimizar a precificação de produtos. Já no Tonin Superatacado, as rotinas dirigem-se à gestão de estoques dentro das lojas, para o reabastecimento das gôndolas.

De acordo com o CEO da Gofind, Fernando Farias, a ruptura está entre as principais perdas do varejo, pois distorce as verdadeiras demandas do comprador e, por consequência, reduz a precisão das projeções e a das compras. “Além disso, leva à perda direta da fidelidade à loja e à menor satisfação do consumidor”, lembra.

As perdas nunca acontecem isoladamente, portanto, todos os quesitos já mencionados estão interligados. Há uma relação clara com a falta de definição de processos e gestão e, por isso, as perdas acontecem em efeito cascata.

Segundo o diretor da MHA Sistemas, Márcio Morari, “o investimento em automação e o controle, por meio de ferramentas e equipamentos, não traz somente agilidade e produtividade, mas permite a rastreabilidade da cadeia de abastecimento, apontando os processos de manipulação dos itens e quem os manipulou, por exemplo”, diz. “Atualmente, o mercado disponibiliza boas ferramentas, só que muitos varejistas ainda visualizam tais investimentos como caros”, acredita.

Especificamente no caso de furtos, há novas tecnologias no mercado, etiquetas de RFID para produtos de maior valor e até sistemas mais avançados que controlam o caixa por câmeras.

“É comum a maior fraude ser provocada por pessoas ligadas ao operador de caixa. Por exemplo, em vez de passar o produto e fazer o registro, ele passa o produto como consulta e coloca no carrinho”, detalha a diretora comercial da Visual Mix, Roseli Morsch. “Em um sistema de CFTV é praticamente impossível flagrar esse tipo de acontecimento, mas a tecnologia permite que, à medida que o operador faz a consulta, seja gerado um alerta para avisar o supervisor ou, até mesmo, a segurança, quando isso começa a ser bastante repetitivo, para que se possam tomar ações de acompanhamento e vigilância”, salienta.

Para Silva, da Nexxera, há algumas tendências ganhando cada vez mais força no mercado, que se referem à massificação do self-checkout, à transformação digital na cadeia de suprimentos (IoT, rastreabilidade de entregas e forte automatização no recebimento integrado) e à visualização do fluxo de caixa da cadeia de suprimentos para proposição de linhas de crédito com juros mais baixos, além de tecnologias associadas à mobilidade. “O grande desafio está na escolha correta de uma plataforma aberta e multisserviço focada no varejo, que coopere para a redução de custos inerentes aos fluxos de compra e pagamento e integre todas as informações geradas no ecossistema, de modo a impulsionar resultados positivos ao setor”, finaliza o executivo. 

 

Fonte: Portal Super Varejo

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