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Uma falsa normalidade

A expressão “novo normal” tem sido usada à exaustão para batizar nosso comportamento depois do surgimento de um inimigo mortal e invisível: o novo Coronavírus.

Se antes as pessoas torciam o nariz para hábitos como comprar pela internet, trabalhar de casa, fazer reuniões pelo computador, cozinhar o próprio almoço e até lavar as mãos dezenas de vezes por dia, agora tudo isso é considerado trivial, comum e em alguns casos, extremamente necessário.

Ansiamos pela volta à vida que vivíamos até fevereiro deste ano, porém a pandemia modificou para sempre as nossas rotinas pessoais. Já na economia, que vinha a passos lentos tentando se recuperar, os efeitos foram devastadores e devem perdurar por muitos meses.

Uma parcela considerável de empresas, sobretudo micro e pequenas, não tinham reservas financeiras para suportar tanto tempo sem faturamento, dependendo do segmento em que atuavam. Quem não conseguiu sobreviver e, principalmente, se reinventar, virou uma triste estatística, assim como mais de 70 mil brasileiros vitimados pela Covid-19. E outros milhões que saíram do mercado de trabalho ou que sequer chegaram a ingressar nele.

Por outro lado, empresas cujos segmentos, por sua essencialidade, se mantiveram funcionando, também tiveram seus desafios. Quem não lembra da corrida pelo álcool gel, água sanitária e até papel higiênico nos supermercados?

Não somente Freud explicaria esse comportamento, mas os especialistas em varejo também: quando a pessoa se vê em pânico, busca criar para si um “banker de sobrevivência”. Resultado: faltaram produtos nas gôndolas e, enquanto uns estocaram sem necessidade, acabou faltando para muita gente. Sem contar a pressão de fornecedores, que aumentaram seus preços.

O fato é que quem vê de fora pode pensar que os supermercados, assim como as farmácias, “se deram bem” na pandemia. Absolutamente, não! Embora as lojas costumem estar cheias, muitos consumidores vão apenas “fazer circuito”, numa linguagem de varejo, ou seja, vão para olhar, não para comprar.

O consumidor está cauteloso. Grande parte das compras é de itens essenciais, de baixa ou nenhuma margem, o que significa que o tíquete médio caiu bastante. Trata-se de um faturamento de baixo resultado. Isso, para um setor em que a margem de lucro média é de 2%, é um baque de respeito.

Somem-se a isso as despesas que os varejistas tiveram para proteger seus funcionários e os próprios clientes, como a oferta de álcool gel, a higienização dos carrinhos, distribuição de EPI’s aos colaboradores e a proteção de acrílico dos caixas. Tudo isso é custo, embora, sem dúvida, seja necessário, mas impacta o faturamento quando chega na planilha.

O que podemos esperar para este ano é uma nova queda no consumo. No cenário atual, o auxílio emergencial terminará em outubro. Sem emprego e renda e sem ajuda, a situação ficará ainda mais dramática para uma parcela da população. A normalidade a buscar deve ser aquela em que as pessoas que realmente precisam de ajuda possam adquirir o necessário.

Já para as empresas nesta pandemia, a gestão nunca mereceu tanta atenção para equilibrar as contas e proteger as pessoas. O “novo normal” exige foco na saúde, incluindo a financeira.

* por Alvaro Furtado, presidente do Sincovaga-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de S. Paulo)

 

Fonte: Revista Varejo Brasil

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