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Varejo agora é high-tech

O varejo brasileiro se valeu da pandemia para fazer a transição ao mundo digital. Tomou força no País o conceito do “marketplace” — portais na Internet onde os consumidores encontram vários produtos, de diferentes marcas e fornecedores. A mudança é grande: o comércio eletrônico deixou de ser apenas um canal comercial e se tornou a loja digital onde a mercadoria é vendida. Mais ainda: algumas empresas, como o Magazine Luiza e a Americanas, adaptaram “ecossistemas” de compras, um modelo chinês onde o comportamento do consumidor é monitorado.

O forte crescimento das vendas online foi impulsionado em 2020 pela pandemia, movimentando R$ 87,4 bilhões, uma expansão de 41% sobre 2019, indica a pesquisa Webshoppers, feita pela Ebit e a Nielsen. As vendas online deverão ter nova expansão na faixa dos dois dígitos em 2021 e alcançar R$ 110 bilhões. “Muito dinheiro do varejo físico está migrando para o varejo virtual. Com a pandemia, houve a virada do e-commerce, de um canal de negócios para o marketplace”, diz Alexandre Marquesi, coordenador do Master de E-commerce da ESPM. Marquesi lembra que o Mercado Livre foi o pioneiro no conceito do marketplace no Brasil, na década passada: um espaço onde as pessoas compram produtos não apenas das empresas, mas também umas das outras. O varejista dono do marketplace cobra uma taxa do comerciante que entra no espaço para vender, pois ele dá a visibilidade e o tráfego ao novato que ingressa na plataforma.

Marcos Gouvêa, diretor-geral da consultoria Ecossistema Gouvêa, afirma que algumas empresas brasileiras, como Magazine Luiza e Americanas, adaptaram o modelo chinês dos “ecossistemas”, no qual o varejista monitora a longo prazo o comportamento do consumidor. “O conceito do ecossistema se desenvolveu na China e envolve o relacionamento de longo prazo com o consumidor, tanto na loja virtual quanto na física. Isto foi possível porque 84% das compras urbanas na China são pagas pelo celular”, afirma. O ecossistema engloba não só o marketplace, como também as lojas físicas de uma ou mais marcas. O número de fusões e aquisições de empresas teve um forte crescimento no ramo. Em abril, a Lojas Americanas, uma das pioneiras no e-commerce brasileiro, comprou 70% do Grupo Uni.co, dono das lojas Imaginarium, Puket, Mind e Lovebrands.

O marketplace da B2W, empresa matriz que engloba Americanas, Submarino, Shoptime e Sou Barato, avançou de 46,8 mil lojistas parceiros em 2019 para 87,3 mil no ano passado. Para fazer frente aos concorrentes, a B2W informou dia 28 que irá incorporar todas as operações das quatro companhias.

Embora restrita ao varejo do vestuário, a maior transação deste ano foi a aquisição da gigante Hering pelo Grupo Soma, um negócio de R$ 5,1 bilhões, anunciado em 26 de abril. Mas não é o único negócio em curso. A Via, dona da Casas Bahia e do Ponto (antigo Ponto Frio), anunciou no mesmo dia um investimento de R$ 200 milhões para acelerar startups.

A empresa montou seu marketplace em 2019, seguindo os passos do Magazine Luiza e Americanas. A Via também comprou a Celer, fintech de pagamentos e serviços bancários, para atender aos seus atuais 26 mil vendedores — a plataforma tinha 5,5 mil no começo de 2020.

A estratégia de comprar outras empresas e fintechs tomou força em 2019, quando o Magazine Luiza comprou a Netshoes, varejista de tênis e artigos esportivos. Desde então, a companhia realizou 17 aquisições, entre elas a Estante Virtual, um portal que vende livros. O marketplace do Magalu cresceu de 15 mil “sellers” (lojas dentro ecossistema) em 2019 para 47 mil no final do ano passado.

A pandemia acelerou mudanças que estavam em pleno curso há vários anos no varejo. A principal foi levar o consumidor a comprar por meio da Internet, mas certamente outras virão nos próximos dez anos, com a formação dos novos ambientes digitalizados de compras.

 

Fonte: Isto É Varejo

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