O anúncio do prejuízo bilionário com o consequente fechamento de centenas de lojas e o pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia é, infelizmente, o sintoma mais visível do desarranjo econômico que vem afligindo o Brasil nos últimos anos e que atinge diretamente o varejo. As ações da companhia despencaram mais de 30% em um único pregão. A gigante que há décadas era referência nacional sucumbiu ao que chamou de “ambiente de crédito mais restritivo e cenário macroeconômico adverso”.

O recado para os associados das Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs) filiadas à Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL/SC) é claro: ninguém está imune.

Os números dão conta da gravidade do momento. O Brasil atingiu 81,7 milhões de inadimplentes — um recorde histórico. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,9% das famílias estão endividadas — outro recorde preocupante, o maior já medido. A inadimplência no varejo superou 8,46% e, na avaliação da Fitch Ratings, segue sem perspectiva de recuperação plena neste ano. Com o crédito ao consumidor beirando 48% ao ano, o poder de compra evapora, o consumo trava e quem sente primeiro é o comércio de rua.

No cenário local a realidade não é diferente. O endividamento das famílias catarinenses acompanha a tendência nacional e o varejo regional enfrenta o mesmo dilema de aperto de crédito, juros elevados e um consumidor cauteloso. De acordo com o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, a reincidência na inadimplência atinge 85,41% dos consumidores. Ou seja, quem entra no vermelho dificilmente sai, o que pressiona ainda mais as carteiras de crédito dos setores produtivos.

A crise é real, mas não é o fim. O momento impõe aos associados a adoção de medidas importantes: (1º) blindar o caixa, reduzindo estoques, renegociando prazos com fornecedores e cortando custos não essenciais; (2º) vender com segurança, exercendo rigor na análise de crédito, com limites menores e monitoramento constante dos cadastros e (3º) fidelizar, pois em tempos de vacas magras o cliente certo vale mais que volume.

E, não menos importante, (4º) valer-se do apoio técnico e institucional das CDLs catarinenses. As Entidades oferecem capacitação, networking e poderosas ferramentas de gestão e análise de crédito e de negociação assistida de dívidas.

Sobrevive quem planeja, vigia o caixa e trata cada venda como decisão estratégica. A maré ruim passa, mas quem estiver preparado sai na frente. Estamos aqui para isso.

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