Semana Lojista

Coordenador da Lava Jato fala sobre a luta contra a corrupção

Procurador ministra palestra para 1.200 pessoas na 48ª Convenção Estadual do Comércio Lojista

Há cinco anos, o Procurador da República Deltan Martinazzo Dallagnol, paranaense de 39 anos, ganhou notoriedade – inclusive internacional – por integrar e coordenar a Operação Lava Jato, a maior ofensiva contra a corrupção da história do Brasil. “A cada 100 casos de corrupção no país, 97 ficam impunes na Justiça Criminal”, revelou em entrevista exclusiva, antes de falar para 1.200 empresários e dirigentes de CDLs presentes à 48ª Convenção Estadual do Comércio Lojista, encerrada no sábado, 25 de maio, em Joinville. “Precisamos passar à sociedade a mensagem de que a corrupção não compensa e tampouco pode ficar impune”, sentenciou.

Com relação a Lava Jato, Dallagonol esclarece que a equipe segue comprometida em expandir as investigações e em buscar novos caminhos.  “Recentemente conseguimos importantes avanços identificando bancos envolvidos com lavagem de dinheiro, além de novos acordos de colaboração, que levam a novas linhas de investigação”, afirmou.

Questionado se a Lava Jato perdeu a força, o procurador afirma que com a passagem do tempo a sociedade passou a encarar como rotina.  “A revelação de esquemas da Petrobras, que representaram a recuperação de R$ 6 bilhões e um número considerável de indiciados e prisões, gerou a percepção de tudo o que veio depois era menor. Depois do gigante, tudo parece pequeno. Mas, sobretudo, não podemos achar a corrupção normal, não podemos perder a indignação diante da injustiça e da corrupção”, completou.

Sobre ações para ter mais eficiência nos processos contra a corrupção Dallagnol observa que falta uma resposta do Parlamento e de que é preciso uma mudança no sistema de prescrição que que favorece a anulação de processos de poderosos, após décadas de tramitação. “As 70 propostas contra a contra a corrupção (um conjunto de leis, Propostas de Emendas Constitucionais e resoluções lançadas em 2018, com ampla participação de entidades e instituições públicas e do terceiro setor) seriam um avanço de muita importância, mas não evoluiu no Congresso. O Mensalão e a Lava Jato foram pontos fora da curva. 97 a cada 100 casos de corrupção ficam impunes na Justiça criminal, com a mensagem de que a corrupção compensa. Precisamos passar mensagem inversa, de que as punições não são exceções”, conclui.

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